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Não tenho assistido tanta TV. Então não sei se perdi muitos anúncios do dia das mães, mas do que vi, tive uma sensação meio agridoce.

Minha primeira impressão foi: hummm, realmente a diversidade virou pauta. Tem mãe branca, preta e ruiva, mãe gorda (nem tantas, mas uma ou outra, sim) Mas daí veio o incômodo: e mãe velha?

Já repararam, colegues, que a idade é uma das últimas barreiras do preconceito? Tem campanha pela aceitação das trans, das gordas, dos negros. Mas ninguém se importa muito com a “velhofobia” que a gente vive. Parece que se passou dos 50, acabou a vida.

Mike Coppola/Getty Images for People.com

Se Madonna, que é Madonna, sofre com isso, que dirão os reles mortais? Tempos atrás, depois de levar um tombo durante uma apresentação por causa de um figurino que não funcionou, a cantora foi atacada nas redes sociais. A maioria dos comentários sugeria que ela estava “velha demais” para se pirulitar no palco.

Mas musa é musa, né, mores? E olha só como ela respondeu: “Todo mundo pode dizer algo degradante sobre a minha idade. E eu sempre me pergunto por que isso é aceito. Qual a diferença entre isso e o racismo ou qualquer outro tipo de preconceito? Estão me julgando pela minha idade, mas isso só acontece contra mulheres”.

Em outra ocasião, ela mandou essa: “Por acaso alguém chegou para Picasso e disse: ‘Ok, você tem 80 anos, já não pintou quadros demais?’ Não. Estou tão cansada dessa pergunta”.

Reparem que mais uma vez chegamos a ele: o sexismo de cada dia. Homens podem – e devem! – envelhecer. Ah, os fios grisalhos… Tão celebrados nos “coroas charmosos”. Para nós, restam as famigeradas horas no salão para disfarçar os efeitos do tempo."

Vamos repensar? Desconstruir esta barreira, aprender a valorizar experiência, vivência e sabedoria. Preconceitos existem sob as mais variadas peles. E reconhecer a presença da “velhofobia” é essencial para que ela seja combatida.

 

 

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