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A Delegacia Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco) cumpriu mandado de busca e apreensão nesta terça-feira (12/9) em mais um desdobramento da Operação Panoptes, que investiga a Máfia dos Concursos. O alvo, Charlie Rangel, é suspeito de falsificar diplomas para serem utilizados por candidatos inscritos em certames e até por servidores já contratados. Os documentos garantiam gratificações e progressões funcionais.

Na semana passada, a Polícia Civil do DF tentou cumprir mandado de prisão contra ele, mas na hora da detenção, Rangel apresentou um habeas corpus preventivo, expedido pela Justiça de Niquelândia, interior de Goiás.

Segundo as investigações, Rangel participava do esquema de Hélio Ortiz, preso no dia 21 de agosto acusado de liderar uma organização criminosa que cobrava dinheiro de alunos de cursinhos prometendo garantir vagas em concursos públicos e até mesmo em vestibulares concorridos de universidades federais. A suspeita é de que pelo menos 100 pessoas tenham sido beneficiadas com o esquema.

Segundo as apurações, os candidatos chegavam a pagar R$ 200 mil para conseguir a aprovação. Era dado um sinal entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Se o nome constasse entre as primeiras colocações na divulgação do resultado, os aprovados desembolsavam até 20 vezes mais para concretizar o negócio.

O esquema motivou o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) a denunciar, no último dia 8, quatro acusados de integrar a Máfia dos Concursos que agia na capital. Hélio Ortiz, seu filho Bruno Ortiz, Rafael Rodrigues da Silva e Johann Gutemberg dos Santos foram acusados de organização criminosa, fraudes em concursos e falsificação de documento público.

Na casa de Rangel, em Taguatinga, foram apreendidos computadores e documentos. Segundo a Deco, a Máfia dos Concursos, investigada na Operação Panoptes, fornecia diplomas fraudulentos aos concorrentes. Ele é acusado de intermediar contatos entre uma instituição de ensino de curso superior e interessados em documentos acadêmicos para candidatos que disputavam vagas em certames cujo edital exigia certificações específicas.

Conexão Goiás
Assim como Ortiz, Charlie Rangel é um velho conhecido da polícia. Em julho deste ano, chegou a ser preso na Operação Golpe de Mestre, em Goiás, que investigou a participação de servidores públicos municipais no possível esquema de fraude de certificados e documentos.

A defesa de Rangel procurou o Metrópoles para fazer uma série de considerações sobre a situação de seu cliente. Segundo o advogado Alair Ferraz, o suspeito investigado pela Deco é o representante legal da Faculdade Integrada de Várzea Grande (FIAVEC). ” É uma instituição regularmente credenciada junto ao MEC, desta forma, esclarecemos que eventuais certificados desta instituição que foram apreendidos na operação Máfia dos Concursos não são falsos”, garantiu.

O advogado explicou, ainda,  que a faculdade possuía parceria com o Instituto INEESP, cujo sócio proprietário é o Professor Johann Gutemberg (investigado na operação Máfia dos Concursos), essa parceria se dava exclusivamente para a oferta de cursos de pós-graduação. Precisamos esclarecer que Charlie Rangel é investigado apenas na operação “Golpe de Mestre”, que fora deflagrada na cidade de Niquelândia (GO). Nessa operação existe tão somente uma pseudo acusação oriunda do Estado de Goiás que imputa ao meu cliente condutas atinentes a participação ativa em bancas avaliativas de Mestrado nos anos de 2014 e 2015, e não por falsificação de documentos”, ressaltou.

 

 

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