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Alvo da PF, Docas do Pará pagou coffee break de R$ 19,8 mil por pessoa

As investigações da PF, MPF e CGU apontaram sobrepreço na contratação do serviço pela estatal federal. Há suspeita de que buffet não ocorreu

26/09/2026 03:36
Reprodução/Transpetro
Alvo da PF, Docas do Pará pagou coffee break de R$ 19,8 mil por pessoa

Alvo da Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Controladoria-Geral da União (CGU), a Companhia Docas do Pará (CDP) pagou R$ 19,8 mil por pessoa em um coffee break suspeito de não ter sido realizado.

O buffet foi contratado supostamente para recepcionar uma comissão de 20 pessoas, durante auditoria no Terminal Petroquímico de Miramar, em Belém, em maio de 2025, segundo as investigações. 

Ex-presidente do CDP, Jardel Rodrigues da Silva é apontado como “líder” e “principal beneficiário” de um esquema de desvios de recursos públicos, cobrança de propina de fornecedores e direcionamento de contratos.

A Operação Sonar foi realizada no dia 15 de setembro. Na ocasião, o cunhado apontado como laranja de Jardel, Jonas Eros de Almeida da Silva, foi preso com R$ 1,2 milhão escondido em malas, conforme revelou a coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles.

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Documentos obtidos pela coluna Grande Angular mostram que, no caso do buffet de R$ 19,8 mil por pessoa, a PF apontou pagamento antecipado, vultoso e “manifestamente incompatível com o mercado”. O teto previsto para esse serviço era R$ 2,2 mil.

A estatal pagou um total de R$ 378,6 mil, na véspera do evento, para a SS Eventos, que também foi alvo da Operação Sonar.

A PF disse que o local atestado, no Edifício Sede, não coincide com o local onde o serviço teria sido realizado, no Terminal Petroquímico de Miramar. Para a CGU, há indício de que não houve a prestação efetiva do serviço. 

A 4ª Vara Federal Criminal do Pará determinou a suspensão imediata do contrato e da ata de registro de preços da CDP com a SS Eventos e também proibiu a empresa de contratar com o Poder Público.

A SS Eventos fechou contrato com a CDP, para período de sessenta meses, no valor global de R$ 2,1 milhões. Uma auditoria interna identificou pagamentos de R$ 1 milhão em apenas quatro meses, equivalentes a 47,28% do valor global do contrato quinquenal, “sem relatórios capazes de demonstrar a efetiva realização dos serviços e com notas fiscais contendo descrições genéricas”, de acordo com a decisão judicial.

A Companhia Docas do Pará (CDP) é uma empresa pública federal, vinculada à União. É responsável por administrar e explorar os portos organizados e as instalações portuárias no Estado do Pará.

A reportagem tentou contato com a CDP. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.