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Andreza Matais

Macallan "que Lulinha gosta" entrou em pedido de R$ 18 mil para Réveillon.

Em áudio, Roberta Luchsinger encomenda o whisky “que o Fábio gosta”, referindo-se a Lulinha; whisky também aparece em celebrações de Vorcaro

14/09/2026 16:02, atualizado 14/09/2026 18:31

O filho do presidente Lula Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, escolheu o whisky escocês Macallan para regar a virada de 2024 para 2025 em uma mansão no Lago Sul, em Brasília. A preferência aparece em um áudio inédito de Roberta Luchsinger, obtido pela coluna, no qual ela encomenda quase R$ 18 mil em vinhos, champanhes e whiskies para o Ano-Novo da dupla.

“E whisky pode ser o Macallan, que o Fábio gosta”, diz Luchsinger ao fornecedor de bebidas de luxo de Brasília.

A bebida preferida de Lulinha é a mesma que entrou no centro das revelações sobre as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades de Brasília.

Em abril de 2024, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, custeou uma degustação de Macallan em Londres da qual participaram os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

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O encontro, promovido pelo Grupo Voto e patrocinado pelo Master, incluiu confraternizações no George Club, um clube privado no bairro de Mayfair.

O próprio Moraes confirmou posteriormente a confraternização ao tratar do episódio em uma sessão reservada do Supremo. Disse que várias autoridades estavam no encontro e que, depois, o grupo foi a um pub e tomou Macallan.

A coluna teve acesso a uma troca de áudios de WhatsApp em que Roberta Luchsinger faz a encomenda para o Réveillon de Lulinha. A mensagem foi enviada em 19 de dezembro de 2024 a um fornecedor. Nela, Luchsinger explica que os dois haviam decidido passar a virada em Brasília porque o presidente Lula também ficaria na capital. Não está claro, na conversa, se o presidente da República participou da comemoração na mansão.

“Deixa eu te falar, precisava ver com você vinhos, já ver bebidas, que a gente vai passar o Ano-Novo aqui em Brasília, vamos ficar aqui. Porque o pai do Fábio, meu sócio, o presidente Lula, vai estar em Brasília. E aí nós vamos ficar por aqui mesmo. Então, eu queria sua sugestão de vinho branco, vinho tinto. Champagne pode ser Perrier-Jouët, Taittinger”, afirma Luchsinger.

Fundada em 1824 na região de Speyside, na Escócia, a The Macallan é uma das destilarias de single malt mais badaladas do mundo, reconhecida por envelhecer o whisky em barris de carvalho antes usados para guardar vinho jerez (“sherry oak”, em inglês). O uso dessa madeira na maturação do whisky dá certo charme à bebida.

A relação de autoridades com o Macallan voltou ao noticiário recentemente. Em mensagens reveladas pelo relator do Caso Master no STF, André Mendonça, Gonet aparece comemorando a possibilidade de encontrar novamente a bebida em outro evento de Vorcaro em Londres.

“Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan”, teria dito Gonet em mensagem encaminhada pelo advogado Ciro Soares a Vorcaro. “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de macalan”, respondeu o ex-banqueiro.

No Réveillon de Lulinha, Luchsinger encomendou uma garrafa de Macallan 15 anos, por R$ 1.699; duas garrafas de Macallan 12 anos Sherry Oak, a R$ 899 cada; e outras duas de Macallan Double Cask 12 anos, a R$ 869 cada.

O pedido incluía ainda 12 garrafas de champanhe Taittinger Brut Réserve, além de vinhos e outras bebidas.

A conta chegou a R$ 17.925. O valor foi pago por Pix pela RL Consultoria, empresa de Roberta Luchsinger, diretamente ao fornecedor.

Reportagem MetropolesPix de Roberta Luchsinger para fornecedor
Pix de Roberta Luchsinger para fornecedor

Atualmente, fatos relacionados a Lulinha são investigados em três inquéritos no STF. O principal deles, com as investigações mais avançadas, diz respeito às suspeitas de que ele, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, teriam praticado tráfico de influência no Ministério da Saúde (MS) para vender fármacos derivados de maconha, como o CBD.

Além da relação com Roberta, Lulinha atuou em conjunto com o Careca do INSS na empresa de maconha medicinal dele, a Cannabis World. Como mostrou a coluna, os dois viajaram juntos para Portugal e Espanha, onde Lulinha vive desde meados do ano passado.

Outro inquérito diz respeito a pagamentos que teriam sido feitos por Roberta Luchsinger a pessoas do entorno do presidente Lula, como o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Uma terceira apuração gira em torno de possível tráfico de influência na Dataprev, empresa pública de processamento de dados.

Além do Ano-Novo regado a Macallan, Roberta Luchsinger pagava outros gastos suntuosos do filho do presidente da República, como uma viagem para a Finlândia, com as respectivas famílias, para ver a aurora boreal. A viagem incluiu estadias num hotel exclusivo no meio da tundra, com diárias de R$ 37 mil por pessoa.