">
*
 
 

No último domingo (10/9), o museu Santander Cultural, em Porto Alegre, anunciou o encerramento da exposição Queermuseu, um mês antes do previsto, após ataques nas redes sociais e no interior do local. Segundo os protestantes, a mostra fazia apologia à pedofilia, zoofilia e contra os bons costumes.

No Facebook, a instituição afirmou que “o objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e debater as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia” e por isso tomava aquela atitude. A celeuma gerou até mesmo, vejam só, o “xingamento” de que o referido banco privado era comunista. Não fosse verdadeiro o fato, essa seria uma piada perigosa (e sem graça) demais até para a mais panfletária peça de Brecht.

Curioso que entre os organizadores dos ataques à exposição está uma organização que diz querer o Brasil livre. Não é a primeira vez no Rio Grande do Sul que a instituição se envolve com polêmica no âmbito moral e artístico. Inclusive o pronunciamento do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que goza do apoio da referida organização, corrobora a crítica ao conteúdo do “Queermuseu”.

Gabriel Galli, coordenador da ONG Somos, falou da atitude da casa de cultura do banco. “Quando sofreram na pele o que a população LGBT sofre todo dia, fizeram a opção de não bancar e cancelar a mostra”. Foi quase impossível encontrar um vídeo que mostrasse e explicasse a exposição sem nenhuma acusação de blasfêmia ou de conduta moral reprovável. Se você quiser conhecer o conteúdo das obras de arte, dá o play aí, inclusive é uma das mais controversas: os quadros com Crianças Viadas, da artista cearense e moradora de Brasília, Bia Leite.

Uma instituição financiada por um banco privado sendo chamada de comunista e se acovardando ante a controvérsia artística de sua exposição; uma organização que é um misto de regras políticas e morais, promovendo ataques à arte que não acha correta; peças dos maiores artistas brasileiros, como Portinari e Volpi, sobre pessoas como nós sendo retiradas da apreciação do público. Há muito a se refletir e lamentar sobre os fatos, mas é assustador pensar que ainda seja necessário dizer qualquer coisa sobre eles.

E quanto a nós? Deixo só o poema de Eduardo Alves da Costa:

Reprodução
Queermuseu
 


COMENTE

Ler mais do blog