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Desde que o dramaturgo argentino Santiago Serrano veio pra Brasília, em 2005, a cidade entrou em seu cotidiano. Das redes sociais, ele espia o movimento dos intérpretes, as novas empreitadas de cada um, as aspirações, as agonias e as reinvindicações. Como um voyeur, está por dentro de tudo que gira em torno do Distrito Federal. Às vezes, fica feliz. Outras, triste. A intimidade não é fortuita. Em uma década, o autor viu cinco textos saídos de sua verve criativa serem montados nos palcos da capital.
Brasília tem uma grande multiplicidade de estéticas teatrais. Gosto muito desse panorama. Constantemente, aparecem novos criadores. É um teatro vivo e comprometido com o social e político. O festival de Cena Contemporânea, por exemplo, é um impulso aos artistas"
Santiago Serrano

Santiago costuma criar dramaturgias em cafés

Brasília redimiu as lembranças ruins de Santiago Serrano. Quando tinha cinco anos, em 1960, perdeu o pai num acidente aéreo em Viracopos. Tinha do Brasil uma memória de dor. Agora, ao ser abraçado pelo teatro, afaga as lembranças. De malas prontas, chega, em breve, para acompanhar os ensaios finais e a estreia de “Autópsia de um Beija-flor”, da Cia. Plágio de Teatro, prevista para entrar em cartaz no dia 16 de dezembro, no CCBB. A montagem reúne no palco dois atores potentes da cena, Sérgio Sartório e André Deca.
A peça nasceu originalmente como um texto muito breve. Tinha só 20 minutos de duração. Foi escrita em 2002 pelo ciclo das Avós de Praça de Maio. Quando Sérgio Sartório me pediu uma dramaturgia, parti desse original. Mudei, no entanto, quase tudo. Foi um desafio apaixonante. Fala do Brasil e do nosso mundo atual, onde estamos presos ao olhar e ao controle dos organismos. A intimidade é quase uma utopia"
Santiago Serrano

Ao lado de Mafalda, autor é psicanalista e leva o humano aos palcos

Santiago Serrano emenda dois textos consecutivos escritos para a Cia. Plágio. O anterior, “Noctiluzes” circulou pelo país com boas críticas. A prática de escrever para um coletivo é um exercício afetivo. Por 30 anos, ele trabalhou fielmente ao seu grupo na Argentina. Tem habilidade de narrar histórias para atores dos quais conhece bem as vozes, os corpos e as possibilidades cênicas.
Quando escrevo para alguém determinado, eu me aproprio dessa pessoa. Eu caminho o espaço da cena com seu corpo. De alguma maneira, é uma capacidade de ser médium. Muitas vezes eu digo que não escrevo. É alguém que escreve por meu intermédio. Eu me entrego a esse impulso criador, não apresento resistência. A escrita é um ato de entrega. Procuro não condicionar nada do meu intelecto. Só deixar que as coisas aconteçam"
Santiago Serrano

Santiago explora o lúdico para criar os textos

A relação “mediúnica” na escrita resulta em textos densos e cheios de humanidade como em “Dinossauros”, um dos maiores sucessos do teatro brasiliense no século 21. Descoberta por Guilherme Reis (então diretor do Grupo Cena) na internet, a peça ganhou uma tradução própria e proporcionou a Carmem Moretzsohn e Murilo Grossi viajarem pelo Brasil e exterior, em 10 anos de atuação.
“Dinossauros” foi escrita para dois atores do meu grupo e escrever para eles não condicionou que a peça fosse encenada só por eles. Amei o trabalho do Grupo Cena e nos tornamos grandes amigos"
Santiago Serrano
Peças de Santiago em Brasília:
“Dinossauros” (Grupo Cena)
“Fronteiras” (Grupo Cena)
“Uma Pausa, Por Favor” (direção: Adriana Lodi)
“Noctiluzes” (Cia. Plágio)
“Autópsia de um Beija-flor” (Cia. Plágio)
teatroSantiago Serrano
 


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