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A bailarina de Cingapura Sara Leah fica diante da pequena índia brasileira Luana Pirõ. Elas contracenam com olhares e movimentos. A estrangeira corre pela areia espalhada na área interna do Memorial dos Povos Indígenas e, a curumim, observa cada gesto, corre e interage como se fosse uma coreografia exaustivamente ensaiada e gestada em sala de criação. O público que assiste não vê um espetáculo. Trata-se de uma comunhão.

Na noite da última quinta-feira (6/10), o grupo Kulilai Khan pisou no território sagrado do Memorial dos Povos Indígenas não como estrangeiro. Havia um clima de rito. Em torno deles, numa grande arena circular, espectadores especiais: sortudos visitantes, participantes do Movimento Internacional de Dança e membros da Embaixada da França e do Instituto Francês, que souberam desse encontro inusitado.

 

Renata Humann

No espaço recoberto de areia, os bailarinos do Kulilai Khan e índios improvisaram. Fizeram coreografias com pedaços de troncos e, ao final, fizeram uma fogueira. Uma barra de bambu e cartolinas viraram objetos cênicos para as coreografias. Tukano e Benoit tocaram flauta enquanto Luana e Sara não se desgrudaram mais.

Essa é uma experiência inédita para todos e diz muito sobre a importância da irmandade dos povos. Para nós, índios, a dança é parte integrante de nossa cultura"
Álvaro Tukano, diretor do Memorial dos Povos Indígenas
Fiquei apaixonado pelo prédio desde o momento que o vi. E estar aqui agora dançando faz parte natural do nosso trajeto. Sairemos de Brasília influenciados por essa experiência, que vai afetar a companhia profundamente"
Frank Micheletti, coreógrafo e diretor

De passagem pela cidade para integrar o Movimento Internacional de Dança (MID), que segue na cidade em cartaz até o dia 25 de outubro, o grupo francês Kulilai Khan propôs esse encontro informal ao presidente da instituição brasileira, o índio Álvaro Tukano.

A gente estava conhecendo a cidade quando surgiu a ideia de visitar o Memorial dos Povos Indígenas e ficamos impressionados não só com o desenho arquitetônico, em forma circular, como se fosse uma oca, mas, sobretudo, com o conteúdo, a palavra e a memória indígenas"
Frank Micheletti

Frank, Sara e Idio Chichava, bailarino moçambicano, e o músico performer Benoit Bottex conheceram detalhes da cultura indígena brasileira e ficaram impressionados com a qualidade curatorial do Memorial dos Povos Indígenas. Foram ciceroneados por Álvaro Tukano, que esmiuçou detalhes.

Renata Humann
Fomos recebidos de forma doce, autêntica e ficamos diante de uma cultura muito forte. Uma hospitalidade que nos marcou. Ele nos convidou para assistir a um rito que aconteceria à noite, voltamos e a decisão de dançar naquele espaço brotou naturalmente"
Idio Chichava

Nesta sexta (7/10) e sábado (8/10), o grupo Kulilai Khan se apresenta no Teatro II do CCBB, às 19h, com ingressos a R$ 20 (inteira), com o espetáculo “Your Ghost is Not Enough”. A programação do MID segue até o dia 25 de outubro e pode ser conferida no site www.movimentoid.com.br.

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