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1º de novembro de 1996. Ovacionado pelos aplausos, o curta-metragem “Depois do Escuro” estreia na mostra competitiva da 29ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Dirceu Lustosa, diretor do filme, vive a nostalgia da experiência.

“Acompanhei o Festival de Brasília desde sempre. Passei nove anos na plateia. Subir naquele palco e defender meu filme foi uma realização e uma surpresa. Cinema lotado, aplausos acalorados. Era aquele sonho, Walter Salles no júri, a nata do cinema aqui vendo a minha primeira produção”, conta Lustosa.

20 anos depois, ou mais precisamente 19 anos e dez meses, em setembro de 2016, o cineasta reúne amigos para uma nova exibição da película. Nada mais justo do que o próprio Cine Brasília como palco.

A projeção não entra no programa oficial do Festival deste ano, mesmo acontecendo durante os dias da realização do evento. Mais do que uma atração, a reexibição do trabalho é um momento de reverência ao cinema e à produção local.

Tempo

A película, em 35mm, é cuidadosamente desmontada e passada pelas máquinas com ajuda dos funcionários. Há cinco anos a máquina analógica não era ligada. O resultado é positivo. Fora da sala de projeção e de dentro do cinema, Lustosa observa cuidadoso o resultado de seu trabalho.

“Por aqui, nem tudo mudou. Apesar da modernização, o charme do Cine Brasília permanece. Mas e o que aconteceu com a gente e com o festival nesses 20 anos? Porque o filme… ficou na gaveta pegando poeira”, questiona.

O filme

“Depois do Escuro” foi filmado em Brasília. A produção foi rápida: apenas dez dias corridos para toda a filmagem. Este, inclusive, é o 1º curta-metragem de Rodrigo Santoro, ator brasileiro conhecido hoje pelos trabalhos em Hollywood. O resultado dos 15 minutos de película rendeu, na 29ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, os prêmios de Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição de Som.

“De uma cena o resto brotou. Foi um processo de criação muito tranquilo, muito orgânico. As filmagens também foram rápidas, tudo no pique, porque tínhamos menos de um mês para terminar a pós e nos inscrever no Festival”, conta Lustosa.

Após a estreia em Brasília, a película rodou vários outros festivais em todo país. Outro ponto alto foi em 1997, na exibição de “Depois do Escuro” no Festival de Havana, Cuba.

“Havana é o Maracanã do cinema, as pessoas amam toda a atmosfera que a sétima arte proporciona. O público se delicia com o filme e com tudo o que a experiência envolve. É um sonho para a maioria dos cineastas poder ter um filme apreciado pelo público cubano”, conta Dirceu Lustosa.

Lustosa ainda dirigiu mais cinco filmes e participou de aproximadamente outros 110, em diferentes funções.

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