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Maior e mais importante feira de arte do país, a SP-Arte abre nesta sexta-feira (7/4) e se estende até domingo (9/4). Seu centro gravitacional é o imenso Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, coração verde da capital paulista. Mas a programação escapa dali e ocupa espaços institucionais, privados e até mesmo a área pública da cidade em encontros, perfomances, intervenções.

Os dados oficiais constatam 160 expositores na edição deste ano, reunidos entre Brasil, América Latina, Estados Unidos, China e Europa. Dois desses comerciantes lá representados são de Brasília: a Referência Galeria de Arte e o Gabinete de Arte k2o. Cada um deles chega com uma proposta particular — e com semelhantes expectativas.

Há mais de duas décadas estabelecida na cidade, a Referência trabalha com artistas brasilienses e nacionais, já consagrados ou ainda não. Para dar conta dessa proposta dentro dos 50 metros quadrados que lhe cabem no estande da feira, a marchand Onice Moraes leva grifes como Alex Flemming e Carlos Vergara, mas também preparou uma seleta de brasilienses. Gê Orthof, recente vencedor do Prêmio Marcantônio Villaça, e Christus Nóbrega, finalista do Prêmio PIPA deste ano, não poderiam faltar.

Christus se faz representar por uma obra já conhecida do público candango, e assaz significativa deste momento de sua carreira. “Que Comam Brioches” é uma impressão do clássico retrato de Maria Antonieta por Élisabeth Vigée-Lebrun (1783) sobre aviõezinhos de papel. A obra foi primeiro apresentada numa individual no Elefante Centro Cultural, em julho de 2016, e até há pouco podia ser vista na coletiva “Ondeandaaonda” no Museu Nacional Honestino Guimarães.

Outros artistas, como o goiano-brasiliense Virgílio Neto e o carioca Walter Goldfarb, produziram inéditos sob encomenda de Onice Moraes especialmente para SP-Arte. No estande da Referência, os preços giram entre R$ 3,5 mil e 180 mil, mas Onice já aprendeu em participações anteriores que aqueles três dias de feira apresentam negócios que não terminam tão ligeiro quanto um fim de semana.

“Acabamos conhecendo novos clientes, de São Paulo e de outras cidades, e essa relação se mantém para além da feira”, ela explica, sabendo que estar ali representa um bocado para uma comerciante de fora do eixo Rio-São Paulo.

O time da Referência na SP-Arte ainda conta com Adriana Rocha, Alex Cerveny, Alice Lara, André Santangelo, Claudio Tozzi, David Almeida (autor do óleo sobre tela “Conduta de Risco # 9”, imagem que abre esta coluna), Elyeser Szturm, João Angelini, Luiz Áquila, Paulo Whitaker, Ralph Gehre, Raquel Nava, Roberto Magalhães, Rodrigo Cruz e Rogério Ghomes.

Criado há apenas três anos, o Gabinete de Arte k2o é um tanto mais recente que a Referência. Porém, a casa traz a marca de Karla Osorio, figura atuante no cenário de arte da capital federal há mais de três décadas. Ela esteve à frente do Ecco: Espaço Cultural Contemporâneo em suas diferentes encarnações, a mais recente no Iguatemi, e agora traz uma nova proposta.

Com seu gabinete de arte funcionando simultaneamente em endereços de Brasília e São Paulo, tem dividido seu tempo e seus negócios entre as duas cidades.

Nesse sentido, Karla Osorio aproveita os 55 metros quadrados que lhe competem na SP-Arte para reforçar o viés de seu trabalho cotidiano. “Tenho uma preocupação curatorial que vem do Ecco e está no dia a dia do Gabinete k2o”, explica. “Infelizmente, não posso levar todos os artistas que represento, não caberiam, não dariam certo, então tive que estabelecer um diálogo entre as peças escolhidas”, completa.

Assim, entre os 21 criadores brasileiros e estrangeiros associados ao k2o, estão aqueles com obras mais ligadas à linearidade. As peças têm preços entre R$ 3,5 mil e R$ 80 mil.

Destaque para o norte-americano de origem surinamesa Roland Gebhardt, filiado à primeira geração minimalista, que será representado por uma pequena escultura em mármore. De estrangeiros, entram ainda o belga Gauthier d’Ydewalle, o alemão Thomas Kellner e a também norte-americana Janelle Lynch. Mas Karla Osorio não se esquece de Galeno, o criador piauiense de marcante trajetória em Brasília, e encara a SP-Arte como mais uma oportunidade para o trabalho que ela vem desenvolvendo para a inserção do artista no cenário internacional da arte contemporânea.

Completam a escalação da k2o na SP-Arte: Almandrade, Bel Barcellos, Fabiano Devide, Marcelo Solá, Ricardo Homen e Sergio Fingerman.

referênciasp-arteGabinete de Arte k2o
 


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