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“A paz, a mais elevada das virtudes.
Fez um aceno pra mim.
Pra trás, deixo um passado de truques.
Nem quero saber do fim.

Só sei que devo abdicar de toda a pressa.
É o mesmo que penar com faca cega.
Quando se quer cortar o mal pela raiz.

Fugaz, a frustração faz a sua oferta.
A cor do desejo é o carmim.
Não mais vou me pendurar em vãs promessas.
A VIDA RECLAMA O SIM.

É lei: quando acende-se a luz no topo.
E a parte se religa enfim… enfim ao Todo.
Pode se afirmar o ser feliz!”

A música de autoria de Chandra Lacombe me encantou desde a primeira vez que a ouvi, mas levei um bom tempo para compreender realmente o que significava esse “sim reclamado”, ou seja, demandado pela vida.

Quando a compreensão foi se manifestando em mim, pude sentir que a paz de espírito vem do reconhecimento da grandeza do ritmo da vida, de que existem forças muito mais poderosas em atuação e que tudo, absolutamente tudo, conspira para nosso bem.

Que, sim, a vida é per-fei-ta! Ainda que se apresente por meio de um acontecimento doloroso, uma limitação assustadora, uma mudança desconcertante de planos. Lá na frente, a gente sempre acaba compreendendo que tudo que nos aconteceu foi para um bem mais amplo, sábio e elevado.

Esse passado de truques a que a música se refere, relaciona-se às tentativas vãs de driblar o poder da vida que move essas forças e seus ritmos. São promessas, técnicas de “fastfood espiritual” que tentam suprimir a forma como realmente nos sentimos. Que buscam calar os gritos da nossa criança espiritual, ou negar a nossa sombra.

Não adianta forçar o ritmo da vida, à base de uma suposta evolução apressada e improvisada: “É o mesmo que penar com faca cega, quando se quer cortar o mal pela raiz”. A vida é para ser vivida, sentida, degustada com verdade e sinceridade. Acolhendo todas as nossas manifestações de luz, e integrando também as de sombra – tão importantes e construtivas quanto.

Quando dizemos “sim” ao momento presente, às condições que a vida nos recebeu, à família em que nascemos, aos pais que tivemos, aos talentos que temos acesso, às pessoas com quem nos relacionamos, é como se uma grande sensação de descanso, paz e alívio encontrassem morada no ser.

Esse “sim” nos convida a fluir no ritmo dos acontecimentos e fazer o melhor possível, sem pretensões de grandes feitos ou peripécias especiais. Ali, no dia a dia trivial, nas ações mais simples, mais despretensiosas e cotidianas, que possamos vivenciá-las com mais presença, amor, alegria e capricho.

À vida exatamente como ela é, eu digo sim, consinto e agradeço. Sem pressa nem receio de seguir!

Religiãorelacionamento
 


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