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“A vida é um aprendizado”. “A Terra é um planeta escola”. “Estamos aqui para aprender”. São muitas as máximas a nos lembrar de que o propósito básico da vida é evoluir.

No entanto, todos nós, ainda que por breves momentos, seguimos um sentido diferente desta programação inicial: estacionamos! Diante de algum obstáculo, escolhemos parar ou simplesmente estagnamos em alguma manifestação inconsciente de nossa infância espiritual.

E o que fazemos diante de uma criança que ainda não aprendeu a engatinhar, a andar, a falar? Nós a condenamos? Nós a julgamos incapaz? Sentimo-nos superiores a ela? Claro que não!

Nós olhamos para as crianças em processo de aprendizagem com ternura e confiança na vida. Simplesmente sabemos que chegará o dia em que um passo antecederá outro; em que a fralda amanhecerá seca; em que a noite inteira será dormida; em que a frase será perfeitamente pronunciada. É só questão de tempo…

Por que não aplicar essa mesma ternura à manifestação de nossa infância espiritual (e à dos outros)? “Mas trata-se de um adulto consciente!”, retrucamos. Porém, nos assuntos do coração, da dor, dos traumas, mesmo o mais experimentado dos homens guarda em si conexões diretas, ainda que inconscientes, com sua criança ferida.

Isso não quer dizer que alguém que manifeste um determinado aspecto infantilizado seja terminantemente menos maduro do que outra pessoa que já não sofre com o mesmo tema. O ser humano, em suas ricas e infinitas manifestações, possui matizes mil de personalidade. Por isso, a ineficácia das comparações entre uns e outros.

Um condenado por um crime qualquer, por exemplo, pode ter desenvolvida uma grande humildade, mas ainda não ter a paciência amadurecida. Tem, certamente, uma programação didática diferente da minha.

Não há sentido algum, portanto, em comparar, medir, julgar. Cada pessoa tem sua proposta “acadêmica” como que gravada na consciência. O caminho a ser percorrido por cada um é único e intransferível. Julgar esse roteiro é, portanto, tão ineficaz quanto indesejável.

Ao nos depararmos com a impaciência alheia, a teimosia, o orgulho, a vaidade, o egoísmo, lembremos: eis a infância espiritual deste irmão, que eu possa servir de instrumento para ele seguir em frente. Que eu me abstenha de condenar, apontar, ferir. Que eu seja a mão que ergue, a palavra que anima, o olhar que estimula. Que eu tenha profunda admiração por seu processo de aprendizado, e reconheça que este não é melhor nem pior do que o meu – apenas diferente.

Que eu o observe com a mesma doçura que lanço à criança que aprende a caminhar. Porque eu também, certamente, tenho questões a amadurecer; equações a solucionar; verbos a conjugar; respostas a encontrar; teses a dissertar"

Quando não temos êxito na escola, ficamos de recuperação para sermos reavaliados. Se ainda assim não der certo, repetimos de ano para revisitar, uma vez mais, a lição ainda não apreendida. Porém, não retrocedemos nunca, nem voltamos para uma série anterior. Apenas estacionamos. Neste lugar, aguardamos que a vida lance, novamente, as perguntas que nos estimularão a desenvolver e expressar a resposta esperada.

Uma vez respondida, a etapa é superada e voltamos a caminhar, retomamos nosso movimento ascensional. E a vida, como excelente mestra que é, amorosamente nos lança novas outras interrogações. E, assim, vamos fluindo: de pergunta em pergunta, de resposta em resposta, galgando os níveis de nossa programação evolutiva.

É a ânsia da vida por si mesma, conduzindo-nos rumo à excelência, nos degraus da maturidade espiritual. Gratidão, ó Pai, pela fantástica escola da vida!

 


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