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Certa vez, quando eu morava sozinha, uma baratona gigante entrou na minha casa, no meio da madrugada. Muitos gritos e algumas chineladas depois, derrotei a dita cuja e fiquei me sentindo gente grande. Era a primeira vez que eu conseguia essa façanha por mim mesma, sem chamar meu pai ou a SWAT.

Mas acho que eu só fui me sentir adulta mesmo quando uma outra baratona entrou no quarto do Miguel, também de madrugada, ele com poucos dias de vida. Eu me enchi de coragem, o coloquei no berço e garanti: calma, filho, a mamãe vai matar o monstro. Quase virei o quarto de cabeça para baixo, mas consegui. E sem gritos!

Na verdade, olhando em retrospecto, a maternidade me possibilitou fazer várias atividades cotidianas “de adulto”: coisas que meus pais faziam para mim, por gentileza ou porque era perigoso mesmo. Aí vai uma pequena lista dessas “conquistas”:

1. Acender o forno.

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Não sei como é na casa de vocês, mas, na minha, o acendedor automático pifou há séculos, então, é preciso abrir o gás e colocar o palito de fósforo lá dentro – tal qual minha mãe fazia. Esses dias, Miguel ficou enfiando a cara bem perto para ver a chama e eu só falei: vai pra lá, que é perigoso, quase com o mesmo tom da minha mãe.

2. Usar a panela de pressão.
Quando eu era criança, ouvia umas histórias horrendas sobre a panela de pressão que explodiu e queimou as pessoas em volta. Acho que isso alimentou meu medo do tal utensílio, medo esse que só terminou recentemente, quando eu, finalmente, criei vergonha na cara e aprendi a cozinhar meu próprio feijão.

3. Descascar laranja.
Não, não é perigoso, mas confesso que me parecia extremamente complicado. Com meus dois meninos, adotei a técnica de cortar em quatro pedaços longitudinais e ir arrancando a casca com as mãos. Se eu soubesse que era tão fácil, teria comido várias laranjas sozinha antes de ser mãe.

4. Chazinho pós-vômito.

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Um clássico das madrugadas de náusea da minha infância. Se eu ia correndo para o banheiro vomitar (quando dava tempo), lá vinha minha mãe me consolar e fazer um chazinho de camomila especial. Solano ainda não toma chá, mas, esses dias, quando Miguel passou mal, me senti o máximo fazendo a bebida para ele.

5. Dar beijinho de boa noite.
Momento mais ternurinha do meu dia: quando Miguel acabou de pegar no sono, e eu vou lá, puxo o lençol, dou um beijo e digo “eu te amo”. Ele não fala nada, mas me dá uma satisfação profunda vê-lo ali, aconchegado e seguro. Bem coisa de mãe adulta.

E você? Quais habilidades cotidianas adquiriu depois da maternidade/paternidade?

Maternidade
 


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