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Se você tem crianças em casa – ou se convive de vez em quando com elas –, deve saber que elas são verdadeiras esponjinhas, absorvem tudo que está à volta. Isso vale para todos os assuntos, inclusive, para as relações de poder. Foi pensando nesse “repertório” infantil que um grupo de amigos criou o projeto “Quem Manda Aqui?”, que resultou em um livro sobre política feito por e para meninos e meninas.

“Quem Manda Aqui?” não saiu da “cabeça” dos idealizadores do projeto. Para fazer o livro virar realidade, foram realizadas seis oficinas com crianças de 3 a 10 anos (quatro em São Paulo e duas em Ouro Preto). “As crianças têm uma lógica própria, trazem respostas muito simples e claras aos problemas”, observa a jornalista Paula Desgualdo, uma das responsáveis pela iniciativa.

Durante os encontros, ela e os colegas apresentavam cenários e situações familiares para meninos e meninas, como a escola, o castelo e a selva. E, a partir desses lugares, surgiam as perguntas: Quem manda no castelo? Quem colocou o rei lá? Qualquer um pode ser rei? “A cada resposta, íamos fazendo provocações, trazendo novas questões a eles”, conta Paula.

As crianças também eram convidadas a fazer desenhos relacionados a cada situação. “Também encontramos aí muitas coisas pré-estabelecidas, que traduzem as relações de poder presentes no imaginário infantil. As princesas, por exemplo, eram quase sempre loiras e brancas”, lembra a jornalista.

“Quem Manda Aqui?” foi viabilizado por uma campanha de financiamento coletivo e publicado pela Companhia das Letrinhas (mas está disponível para download gratuito). Paula explica que o crowdfunding foi importante para garantir a completa independência e isenção em relação ao material que viesse a ser produzido.

Agora, Paula e os amigos querem lançar um segundo livro, “A Eleição dos Bichos”, pelo mesmo formato.“Os animais, cansados dos mandos e desmandos do leão, começam a se perguntar por que, afinal, ele é o rei da selva. E decidem escolher democraticamente outro bicho para assumir esse posto”, escrevem eles, na plataforma de financiamento coletivo."

Esse, contudo, é apenas o argumento inicial. Da mesma forma que o primeiro livro, “A Eleição dos Bichos” também será construído pelas crianças, que, certamente, têm muito a dizer. “Tudo que está no universo dos adultos faz parte do universo das crianças. Precisamos dialogar com elas sobre essas coisas”, reflete Paula.

E aí, vamos ajudar mais essa ideia bacana ser concretizada?

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