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Eu não gosto de levar meus filhos ao shopping. Por mais bem projetados que sejam, são lugares pequenos, com muito estímulo visual, onde eles acabam ficando estressados – e eu também, consequentemente. Esta semana, porém, com a chuva e as decorações fofas de Natal (dessa parte eu gosto), fomos a um deles.

Estava tudo muito bom, Miguel se divertiu a valer em um daqueles lugares cheios de brinquedos eletrônicos e com tobogã e piscina de bolinhas, mas aí chegou a hora de ir embora. E começou uma longa e sofrida luta."

“Eu não queio ir embóua!”, me disse ele, que estava excitado também com a presença de um amiguinho. Argumentei que já estava tarde, que outro dia nós poderíamos voltar, que precisávamos ir para casa jantar, mas nada adiantou. Ele e o amiguinho passaram a correr freneticamente pelos corredores, esbarrando nas pessoas, mexendo nas plantas ornamentais.

Eu e a mãe do amiguinho – ambas cuidando também de outra criança – ficamos levemente desesperadas, precisando parar a cada 10 metros para, literalmente, segurar os dois meninos. Eu fui ficando nervosa, suada, Solano começou a chorar também, e o caixa para pagar o estacionamento parecia cada vez mais longe.

Quando, finalmente, chegamos ao guichê, Miguel inventou de subir em um dos bancos e eu tive que, mais uma vez, segurá-lo, e dizer que nós nunca mais voltaríamos àquele lugar. O coloquei no chão e ele começou a chorar. Me afastei alguns metros, para ir à fila do caixa, mas foi o bastante para que algumas pessoas vissem a cena e achassem que ele estava perdido.

Até aí tudo bem, eu também iria conversar com um menininho chorando no shopping. O problema foi o que aconteceu em seguida. Uma das mulheres que estava ali disse, em tom de reprovação: “A mãe dele que o largou aí, chorando.” Eu, que estava perto o bastante para 1) observar meu filho 2) ouvir o comentário, cheguei quase dando uma voadora na mulher. “Senhora, eu não o larguei, eu estou aqui e estou bem atenta a tudo que está acontecendo.” Multidão dispersada, acabou o show.

Em quase três anos, foi a primeira vez que eu me senti realmente incomodada com o tal do mother shaming – uma expressão em inglês para o julgamento ao qual as mães são constantemente submetidas. Hel Mother, uma youtuber incrível, tem um vídeo ótimo sobre isso, aliás.

Curioso e cruel perceber que esse tipo de coisa geralmente parte de outra mulher, na maioria das vezes, uma mulher que também tem filhos. De onde deveria vir mais empatia, é onde surge a maior incompreensão.

Então, senhoras e senhores, não sejam essa senhora do shopping. Ao ver uma mãe lutando para controlar os filhos, não aponte o dedo. Ofereça ajuda, distraia a criança, embale o mais novo. A humanidade agradece.

Maternidade
 


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