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Há umas duas semanas, escrevi sobre as minhas ressalvas em relação ao Papai Noel. Não que eu o considere exatamente o símbolo mor do consumismo – como muitos dos críticos do personagem –, mas fiz uma reflexão sobre a possibilidade de apresentar a história do bom velhinho de forma menos fantasiosa aos meus filhos.

Foi o que bastou para que algumas pessoas viessem com “sua desalmada, não faça isso, você vai acabar com um dos sonhos da infância!” ou, como disse meu companheiro “nem pense em dizer ao Miguel que Papai Noel não existe, é fim de relacionamento”. Ok, ok, meia volta volver.

Mas essa história me fez pensar em como, na maternidade/paternidade, a gente opta por comprar ou não certas brigas. No meu círculo de amigos, por exemplo, há pais e mães que se incomodam profundamente em alimentar a fantasia do Papai Noel. Para outros, é importante que os filhos não sejam expostos à televisão. Em outros casos, ainda, a questão da alimentação saudável é muito forte, e há um esforço para que as crianças não consumam doces e industrializados até 3 anos de idade ou mais.

O grande lance dessas escolhas é que elas normalmente implicam um certo enfrentamento com a sociedade, especialmente, com a família, as pessoas que participam mais ativamente do processo de criação do menino ou da menina. Recentemente, por exemplo, eu dei um verdadeiro chilique porque a minha avó estava dando refrigerante para Miguel.

(É claro que há casos em que a família e os amigos respeitam e não discutem as escolhas dos pais, mas, olha, não conheço ninguém que passe 100% isento por interferências e/ou questionamentos.)

Existem também as escolhas de maternidade/paternidade que são, aparentemente, bobas, mas, ainda assim, importantes para os principais cuidadores. Conheço gente que, por exemplo, passa meses organizando a festa de aniversário da criança ou que de dedica a fazer elaboradas lembranças de maternidade.

A minha “briga boba”, digamos assim, se chama banho antes de dormir. Levar os meus filhos para o chuveiro, religiosamente, antes de irem para a cama é algo quase existencial pra mim. Se eu os vejo suados e grudentos e capotados em cima do lençol, chego a ter coceira. Pouquíssimas vezes eles foram para a cama sujos, e eu já, inclusive, os acordei para dar banho. Sou dessas.

Mas, pelo menos, não acabei com o Papai Noel, vai.

Maternidade
 


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