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Contam meus pais que eu era uma neném meio chata para comer; daquelas que, se encontrava carocinhos de comida no meio da papinha, já fazia ânsia de vômito.

Eles sempre lembram do fatídico dia em que eu, uma então bebezinha de meses, botei para fora toda a sopinha que meu pai havia se esforçado tanto para colocar para dentro, colherinha por colherinha. Segundo minha mãe, meu pai só teve tempo de fazer uma concha com as mãos e segurar tudo aquilo, enquanto eu sorria, aliviada.

Eu sempre achei a maior graça nessa história, até que o destino me brindou com um filho vomitador. Ok, para ser justa, não é bem um vomitador. Solano não é, nem de longe, chato para comer como eu deveria ser. Ele tem, entretanto, o estômago sensível, e já me brindou com alguns festivais de vômito que me deixaram sem saber como reagir.

Primeiro, que ele nunca dá sinais claros de que algo não vai bem. Ele come tudinho e vai dormir, e eu só percebo que teremos uma noite difícil quando ele acorda chorando, já todo melado. E lá vamos nós trocar toda a roupa de cama, dar banho no bebê, que, obviamente, está assustado e nem um pouco feliz em ter de voltar para o chuveiro.

Mas o problema mesmo é que ele nunca vomita tudinho de uma vez. Vai dividindo a lambança em prestações e, no meio delas, me procura para se aninhar, querendo colo, a cabecinha cansada apoiada no meu ombro. Nas primeiras vezes, essa necessidade me compadecia e eu esquecia completamente do risco que estava correndo.

Hoje, contudo, já estou vacinada: colinho pós-vômito só se eu estiver enrolada numa toalha. Quantas coisas a gente não aprende na marra, não é?"
Maternidade
 


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