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Dia desses, durante uma comemoração infantil, meu filho mais velho achou, em cima de uma das mesas, um daqueles potinhos cilíndricos de bolha de sabão. Eu estava do outro lado da festa, quando ele veio correndo, me puxando pela mão, ansioso: “Mamãe, pode pegar?”.

Miguel, 3 anos, havia entendido e incorporado o fato de que não podemos pegar as coisas que encontramos aleatoriamente por aí. “Achado não é roubado” coisa nenhuma, isso deve ter um dono e sempre precisamos pedir autorização antes de tomar posse.

Meu filho, então, saiu perguntando para todas as pessoas que via na frente se elas eram as donas da bolinha de sabão, até que, finalmente, o dono (ou melhor, a mãe do dono) se identificou e liberou a brincadeira.

Difícil explicar o orgulho que eu senti (e meu companheiro também, quando contei para ele). A gente que é pai e mãe gasta muitas palavras, horas e paciência tentando ensinar as crianças. Repetimos uma, duas, três, 10, 50, 500 vezes a mesma coisa e, frequentemente, parece que as informações entram por um ouvido e saem pelo outro.

Mas, não. O aprendizado está acontecendo, aos pouquinhos. Quando Miguel se preocupou em saber se podia pegar a bolinha de sabão, quando pediu autorização do dono, ele colocou em prática muitas das coisas que tentamos ensinar desde o dia em que ele nasceu: o respeito ao outro, às coisas dos outros, às regras que fazem com que a gente possa conviver harmoniosamente em sociedade.

Arquivo Pessoal

Ao vê-lo fazendo isso, naquele dia, eu pensei: ufa! Estou fazendo um bom trabalho!

A maternidade (e a paternidade, para aqueles que efetivamente a praticam) é uma das tarefas mais exaustivas do mundo. Um trabalho que precisa ser feito todos os dias – com palavras e exemplos – mas que só traz resultados a médio e longo prazo.

Tento lembrar disso toda vez que fico impaciente, toda vez que preciso repetir mil vezes “não arranque as coisas da mão do seu irmão”, “diga obrigado”, “peça licença” e por aí vai."

Uma pediatra com quem conversei esses dias me fez refletir o quanto isso é natural e necessário para o desenvolvimento das crianças – mesmo que nós, adultos, fiquemos irritados. A gente nunca se incomoda de deixar os filhos assistindo o mesmo desenho 30 vezes, ela me disse, mas, se é para educar, logo ficamos impacientes. O quanto isso é injusto com nossos pequenos, não é mesmo?

Claro que temos o direito de ficar de saco cheio dos nossos filhos, de querer fugir para o Alasca, somos também humanos e ninguém precisa ser Madre Teresa o tempo todo. É bom lembrar, contudo, que ter filhos é isso mesmo: um trabalho de formiguinha eterno. Mas compensa. Se eu já tive o maior orgulho dessa mini demonstração de civilidade do Miguel, vou explodir se ele se tornar um adulto responsável e generoso. Seguimos na luta!

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