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Conexão perdida: engajamento na página de Rodrigo Rollemberg no Facebook despenca
O blog ‘Grande Angular’ analisou mais de 18 mil comentários na rede social: assuntos como pagamentos dos servidores e as derrubadas na orla do Lago Sul geraram controvérsia
atualizado
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Na pré-história das redes sociais, os institutos de pesquisa eram os guardiões absolutos da popularidade de candidatos e governantes. Só havia um caminho para prever a intenção de voto e a atuação de políticos eleitos: perguntar a um grupo representativo de pessoas na rua o que achavam sobre o assunto.
A realidade virtual inaugurou um método que dispensa intermediários e é capaz de apontar com pequena margem de erro a quantas anda a reputação dos gestores públicos. Usando a régua das redes sociais, o Grande Angular mediu como variou o desempenho de Rodrigo Rollemberg (PSB) no comando do Distrito Federal entre janeiro e agosto.
Dono de uma empatia virtual construída e administrada pelo partido, Rollemberg já não exibe a mesma audiência do início de seu mandato. A coluna analisou o conteúdo de 18.861 comentários distribuídos em 57 posts publicados nos meses de janeiro, abril e agosto.
Nesse período, houve uma variação acentuada do engajamento (curtida mais compartilhamento) na página de Rollemberg. Em janeiro, quando os internautas ainda estavam em lua de mel com o governador, 108.221 usuários deram as boas-vindas ao socialista. Curtiram e/ou compartilharam algum dos 24 posts publicados na estreia de sua administração. Nessa fase, mais da metade (54%) dos 12.310 comentários postados na timeline eram simpáticos ao novo governante.
A publicação de Rollemberg na missa da Dom Bosco, em primeiro de janeiro, estimulou uma chuva de bênçãos nos comentários. Mas a benevolência popular durou pouco. Sete dias depois da posse, o humor dos internautas virou e o número de mensagens pejorativas no perfil do político fermentou. Era a reação dos brasilienses ao anúncio de que o salário dos servidores seria parcelado. No post sobre o assunto, o governador recebeu 571 críticas contra 409 mensagens de apoio.
No mês de abril, quando o governo completava 100 dias, Rollemberg assistiu a sua audiência despencar. Ao usar o espaço nobre das redes para exibir uma trama de governo sem fortes emoções, o chefe do Executivo somou modestos 2.402 comentários em oito postagens. E o engajamento nas publicações (que já havia ultrapassado a marca dos 100 mil) recuou para modestas 15.822 interações.
Entre as mensagens daquele período, uma dava conta da entrega de escrituras para moradores do Riacho Fundo II, outra registrava o encontro de Rollemberg com a cirandeira Lia de Itamaracá e havia ainda notícia do Auto de Páscoa da Terceira Igreja Batista de Brasília. Mas o motivo de maior curtição em abril foi o flagrante de um arco-íris no céu da capital: 2.965 cliques.
Se abril foi um mês ruim para a popularidade do governador, em agosto ele recuperou parte de sua autoestima no Face. Somou 28.305 interações. Muito aquém (73,8%) dos índices de janeiro, mas melhor do que a soma de curtidas e compartilhamentos de quatro meses atrás.
O impasse em torno do Uber e as derrubadas na orla do Lago Sul revigoraram o perfil de Rollemberg no Face. Com as medidas controversas, ele atraiu uma legião de apaixonados, contra ou a favor de suas decisões políticas. Embora a margem tenha sido apertada, o saldo para o chefe do Executivo foi positivo, no período. Ele recebeu 2.073 comentários de apoio, contra 1.521 de reprovação.
No post sobre o Uber, de 6 de agosto, 410 internautas aplaudiram a iniciativa de Rollemberg em vetar o projeto de lei que proibia o serviço no DF. A quantidade de registros desfavoráveis foi três vezes menor. Sobre as derrubadas na orla do Lago, 721 mensagens encorajaram o governo pela iniciativa, mais do que o dobro dos comentários negativos.
Se Rollemberg tiver o hábito de ouvir o clamor social que fala pelas redes, certamente já pescou a mensagem: a paciência do cidadão nunca esteve tão curta e o desejo de ter um líder com a coragem de se posicionar sobre assuntos polêmicos nunca foi tão grande.
*Os 18.861 comentários foram analisados até 7 de setembro. Eventuais alterações podem ocorrer depois desta data. É importante frisar que os dados foram colhidos de acordo com as postagens visíveis ao público no Facebook. Publicações excluídas e ocultadas não entraram na análise.
Com Luiz Prisco e Arthur H. Herdy

