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Quem acompanha a coluna sabe que eu sou adepta e divulgadora da ideia de consumo consciente. Já mostramos aqui os efeitos nefastos de uma indústria da moda que só pensa no lucro final. Por que é importante seguirmos batendo nesta tecla do consumo consciente?

Nós, como consumidores, temos nossa parcela de responsabilidade quando incentivamos uma indústria que não respeita o ser humano e o planeta. E, pra quem pensa que isso é coisa que só acontece do outro lado do mundo, em países como Índia e China, tá na hora de voltar os olhinhos pro umbigo.

Em março de 2010, a fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e do Emprego de São Paulo encontrou 17 imigrantes latino-americanos trabalhando em condições escravagistas em uma pequena fábrica de roupas. Nos cadernos de anotações do empregados (ninguém tinha carteira assinada), havia notas sobre cobranças ilegais de passagens dos seus países para o Brasil com “taxas e despesas” que a fiscalização aponta como indício de tráfico de pessoas.

Além disso, os salários iam de R$ 202 a R$ 247, menos da metade do mínimo da época, de R$ 510. Isso foi aqui no nosso quintal. Escravos do século 21. Já ouvi muita gente dizer que quer mudar seu jeito de consumir, mas não sabe por onde começar. Então hoje vou listar quatro iniciativas que pretendem enfraquecer esta maré de mercado predatório e construir um novo jeito de fazer moda. Vamos falar de coisa boa e de gente que faz.

  • A rede Costura Solidária SP é um grupo de 14 Empreendimentos Econômicos Solidários com o objetivo de atender ao mercado consumidor de costura, sempre guiadas pelos princípios do Comércio Justo e Economia Solidária. Um dos membros da Rede é o Grupo Pano pra Manga, uma oficina de costura capacitada pela ONG Design Possível (associação sem fins lucrativos) que realiza atividades econômicas organizadas por autogestão. Ou seja, todos os participantes administram, através da democracia direta, em um regime de igualdade de condições.
  • A Fashion Revolution tem entre suas missões fazer as marcas responderem a uma simples (pero no mucho) pergunta: quem fez minhas roupas? Ou seja, quem são as costureiras e – principalmente – em que condições elas trabalham? De onde veio o algodão do tecido? Como foi feito o transporte? Entendem aonde eles querem chegar? A ideia é deixar a gente – os consumidores – mais curiosos sobre o processo de produção completo, para saber se tudo foi feito dentro de condições trabalhistas e ambientais decentes. Tudo se resume a uma palavra: transparência.
  • O Slow Down Fashion é um guia de marcas e projetos locais e inovadores que estão alinhados aos valores do movimento Slow Fashion. As marcas participantes do guia — como a Coletivo de dois, responsável pela imagem que abre essa matéria — utilizam técnicas de tingimento natural, algodão orgânico, customização de peças descartadas e roupas atemporais, feitas para durar muito mais do que uma coleção.
  • Last but not least, a All Is Fair In Love And Wear é uma marca de underwear criada pela designer americana Peregrine Honig, voltada para quem é transgênero, gênero fluido ou agênero. A consciência aqui não veio por meio de questões ambientais, mas por uma ideia de inclusão. Peregrine criou peças que se adaptam perfeitamente a qualquer tipo de corpo, tamanho e volume para, segundo ela, deixar esta comunidade menos desconfortável com seu vestuário íntimo.
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