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Cada pessoa tem percepções de luxo diferentes. Para alguém simples, pode ser uma tarde de folga, um almoço fora de casa. Para uma criança, um sorvete na companhia dos avós. Já para um figurão, um fim de semana em Paris, ou trocar de carro duas vezes ao ano. A medida vai dos valores de criação, do tamanho da conta bancária e da forma de enxergar a vida.

Minha concepção coloquial de luxo é aquela permissão que damos a nós mesmos. Aquele “não precisa” que decidimos ter/vivenciar."

O arquiteto e filósofo italiano Bruno Munari, autor de “Das Coisas Nascem as Coisas”, costuma dizer em seus livros que luxo é uma manifestação de estupidez. “Uma necessidade para muitas pessoas que querem ter um sentimento de domínio sobre os outros”.

Acontece que o luxo ao qual me refiro não é necessariamente o da futilidade nem o da manifestação de importância. É aquele mimo, aquela pequena ousadia que deixamos acontecer nas nossas vidas. Para mim, designer de interiores, os pequenos investimentos na casa são sempre os que mais me encantam.

O edredon cheio de fios que faz um barulho e um peso delicioso quando a gente dorme, e que dividimos a perder de vista no cartão. O tapetinho do banheiro que é excessivamente macio e acolhe nossos pés depois do banho.

A possibilidade de comprar plantas novas e encher os espaços da casa de verde. O aromatizante sobre a mesa, deixando cheiro de flor de laranjeira pelo corredor. Entrar na sala e acender a arandela, a luminária de piso e o abajur, todos ao mesmo tempo, para curtir o cenário de aconchego que se forma com a luz indireta.

Encher as paredes de quadros que recontam pra mim as coisas que amo, os lugares que fui, as bandas que escuto, as imagens que me comovem, os artistas que admiro.

No meu trabalho de criar o design do interiores das casas, me pego sempre preocupada em conseguir inserir essas “luxuosas”  — e tão pessoais — sensações no projeto. Por isso não me canso de perguntar: quando se trata de casa, o que é luxo para você?

 


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