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Na correria de visitar obra, fazer projeto e sair para compras com cliente, recebi o convite do Casa Park para ser jurada do concurso de vitrines natalinas, mas não me atentei para o evento paralelo que ocorreria no dia.

Cheguei no shopping totalmente focada na vitrines montadas por grandes escritórios de design e arquitetura brasilienses, mas quem roubou minha atenção foi uma peça enorme na praça central: três mesas gigantescas empilhadas e cadeiras, igualmente enormes, feitas em ferro e mangueiras de led (foto acima).

Se pra muita gente o enfeite de Natal do Casa Park não faz muito sentido, para mim, o primeiro contato com o obra trouxe aquela sensação de nó na garganta. Os móveis empilhados em questão são releituras de dois ícones do design – a mesa girafa e a bowl chair – criados pela arquiteta italo-brasileira Lina Bo Nardi, de quem sou fã incondicional.

 

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A homenagem à Lina, obra criada pelo genial designer José Marton, é um alento em tempos de conservadorismo crescente. Tempos em que as conquistas femininas, e o direito por lutar por igualdade, são constantemente rechaçados.

Se em 2016 ainda lidamos com tais preconceitos, Lina, na metade do século 20, viveu tempos nos quais a arquitetura e o design — profissões extremamente sexistas — eram ambientes quase exclusivos dos homens. Onde a ideia de que “mulher não dava conta de lidar com grandes obras” era dita em alto e bom som.

 

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Lá foi Lina e assinou algumas das edificações modernistas mais famosas do Brasil, como o MASP e a Casa de Vidro, em SP, entre outros tantos feitos, provando para aquela geração, e para todas as outras depois, que lugar de mulher é onde ela bem entender. Mas diferentemente dos grandes nomes de sua época (Niemeyer, Lúcio Costa, Lelé, Sérgio Rodrigues), a arquiteta só teve verdadeiro reconhecimento profissional muito depois de sua morte.

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Hoje, Lina é considerada uma das maiores mentes da arquitetura mundial do último século. Sua maneira absolutamente humanista de observar o espaço, de ver o indivíduo como o protagonista de um projeto arquitetônico e sua forma de fazer arquitetura apoiada em uma visão antropológica tornaram seu trabalho tão singular e genial.

 

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Lina é apenas uma das centenas de arquitetas e designers geniais que fizeram ou fazem história. A coluna Casa Nossa vai lançar, mensalmente, um texto sobre essas profissionais, na série Mulheres no Design. Ah sim, vale lembrar que o estúdio de arquitetura que venceu o concurso de vitrines de Natal é o da arquiteta Larissa Dias. Mais uma mulher enchendo a gente de orgulho.

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