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Por ser um dos restaurantes mais antigos de Brasília, o La Chaumière faz história na capital. É um clássico. Já frequentado por presidentes como José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, esse bistrô abriu as portas em 1966 e permanece em seu local original.

Os antigos proprietários, um casal de franceses, venderam o ponto para seu fiel escudeiro, Severino, que toca a casa até hoje com a esposa, Maria das Graças Xavier. É um negócio familiar, com tradição e beleza na perenidade de sua história.

O espaço para 30 lugares é simples. Na parede, quadros com a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo reforçam que você está num restaurante francês. Ao abrir o cardápio, se dê o direito de se assustar com os preços. Um prato individual de filé custa R$ 96,50.

Talvez os donos justifiquem os preços pelo tamanho do lugar. Talvez justifiquem, como descrito no site (não atualizado desde 2011), que alguns dos temperos são trazidos da França. Mas, de fato, os valores assustam, pois você espera – por este preço – comer o melhor filé da sua vida.

Divulgação

Carne perfeita, exagero no molho
É saboroso? Sim. Correto? Sim. Espetacular? Não. Apenas para regular a expectativa. As carnes, carro-chefe do La Chaumière, são muito bem feitas e temperadas na medida. O ponto da carne é aquele que você corta e, por dentro, está vermelho, sem sangrar.  Realmente, um encanto de preparo. Mas o preço é excessivo.

Escolho quase sempre o prato-assinatura do restaurante, o steak a poivre (R$ 96,50), filé-mignon com molho flambado no conhaque e pimenta do reino, acompanhado de arroz ou batatas sauté. Estas últimas vêm cortadas em quadradinhos, quentinhas e sequinhas. Derretem na boca.

Também experimentei o filé Sevê-Rã (Severin), forma afrancesada como os ex-donos chamavam o atual proprietário. O prato (foto acima) é uma criação do próprio chef, que também inventou mais receitas para homenagear filhas e netas. O filé é servido com molho de queijo roquefort, champignon, cebola, pimenta do reino verde.

Para esse prato, ressalto todos os pontos positivos que comentei, mas faço uma pequena observação. Muita manteiga e queijo. Confesso que, até mesmo para quem (como eu) não se incomoda com os exageros franceses desses dois ingredientes, os molhos parecem gordurosos e pesados. Pois, eles mascaram o sabor da carne.

Divulgação

O couvert é um belo começo
Não dispense o couvert (R$ 15). A porção é farta e vem com pão de alho, rabanete, torrada, salame, azeitona e manteiga. Nem deixe de pedir o patê de fígado de frango (R$ 42), feito na própria casa. Esta dupla possibilita um belo começo de refeição.

O atendimento é um dos pontos altos do serviço. Severino, esposa e equipe fazem questão que você tenha uma ótima experiência no local.

Sobreviver e se reinventar são duas tarefas árduas em qualquer ramo, principalmente no da gastronomia. Com isso, não digo que o La Chaumière deva trocar o seu jeito de servir. Creio que deva olhar atentamente para o mercado e se atualizar, pois os bistrôs de Paris e da França, em geral, também mudaram sua relação com os ingredientes e com os preços.

Cortês sim; omissa, não.

DEVO IR?
Sim. É gostoso.

PONTO ALTO:
O clima que os proprietários imprimem ao local.

PONTO FRACO:
Os preços. Caríssimos! O site precisa de atualização.

La Chaumière (408 Sul, Bloco A, Loja 13, 3242.7599. Site: www.lachaumiere.com.br )

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