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O exercício não é fácil, mas tente imaginar Londres no século XVIII, quando a Revolução Industrial apontava os primeiros sinais. Naquela época, a cidade já fervilhava, bairros inteiros eram erguidos, pontes construídas para facilitar o comércio, e o porto seguia rumo ao título de maior do mundo.

Na Londres esfumada às margens do rio Thames, milhares de estivadores faziam a engrenagem rodar, entregavam a carga para além-mar e desembarcavam toneladas e toneladas de mercadorias. Eram trabalhadores que não conheciam descanso e que, por isso, precisavam de uma bebida que os afagasse.

Vinho era caro demais e a preferência era, claro, por cerveja! Foi nesse clima, com a intenção de matar a vontade desses beberrões, que o estilo Porter nasceu para conquistar corações. Das cervejas Porters vieram as Stouts, todas marcadas pelo uso de malte de cevada torrado – por volta de 5% da mistura. Da English Stout tradicional nasceram, pelo menos, sete subestilos (um viva ao poder da multiplicação!)

Ao contrário do que muita gente imagina, as cervejas do estilo Stout não são necessariamente pesadas. Tudo bem, elas estão longe de serem refrescantes, mas geralmente são bebidas fáceis de serem degustadas. Pode acreditar, os poderes de uma boa Stout são incríveis, já vimos cervejeiros ajoelharem no chão de tanta emoção!

Mas, seja qual for o rótulo ou a fórmula mágica, o êxtase só é alcançado se uma regra simples for seguida: beber na temperatura certa. Quando essa premissa não é respeitada, a percepção dos aromas e sabores é prejudicada. Sendo mais claro: a degustação perde a graça, o clima vai para o saco e a emoção dá lugar à desilusão. Com exceção dos chopes nitrogenados, que normalmente são servidos a 5 graus, essas torradinhas preferem brilhar a temperaturas perto de 13 graus Celsius.

1.Irish Dry Stout – a receita leva cevada torrada não-maltada. Essas cervejas lembram café e têm características cremosas, mas ainda assim são secas (secam a língua). A Guinness é o exemplo mais famoso, mas existem outros rótulos que também chegam ao Brasil, como a North Coast Old Nº. 38 – uma das nossas preferidas!

2.Sweet Stout ou Milk Stout – são cervejas mais leves, menos amargas e com um aroma frutado quase imperceptível. Normalmente, adiciona-se lactose à fórmula para acentuar o sabor adocicado. São muito cremosas e com pouca carbonatação.

3.Oatmeal Stout – além dos ingredientes convencionais, essas cervejas são feitas com um pouco de aveia, cereal que deixa a bebida mais cremosa e com um leve aroma de nozes.

4.American Stout – são mais amargas por causa do uso de lúpulos americanos. Os lúpulos (com características cítricas ou frutadas) também podem ser percebidos no aroma, acompanhando o cheiro incisivo do malte torrado. Geralmente são mais alcoólicas.

5.Foreign Stout ou Extra Stout – eram Stouts feitas com mais malte e mais lúpulo para aguentarem longas viagens de navio. Mais robustas, alcoólicas e amargas.

6.Imperial Stout ou Russian Imperial Stout – muito apreciadas pela corte russa no século XVIII, são as mais alcoólicas da família. O corpo é licoroso e a receita pode ter, além dos tradicionais café e chocolate, aromas de vinho do Porto e ameixas.

7.Fruit Stout – se os sabores de café e chocolate das Stouts combinam com sobremesas de frutas vermelhas (ou azuis), por que não incluir amora, blueberry e outras gostosuras na receita?

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