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Como encontrar o prato perfeito para sua cerveja especial? Como fazer justiça aos sabores artesanais e ao preço pago pela garrafa que, sabemos, não é barata? Pode acreditar, dependendo da comida que acompanha a cerveja, a experiência sensorial pode ser péssima ou maravilhosa. A escolha errada tem o poder de tirar o brilho da refeição, apagar as qualidades da cerveja ou até mesmo de deixar um gosto estranho na boca. Juro!

Encontrar a combinação perfeita é uma arte. Lembro de escutar de um beer sommelier famoso que, no quesito harmonização, ele era uma negação. Não sabia nem ensinar nos cursos que ministrava, preferia deixar qualquer comentário sobre o tema para outro professor.

Pois bem, nós não somos cozinheiros e nem experts em zitograstronomia (harmonização entre pratos e cervejas), mas tomamos bons rótulos há muitos anos, estudamos e temos tantos livros sobre o assunto, que dá pra quebrar o galho.

Muitos de vocês já devem ter ouvido que a harmonização de bebidas e alimentos costuma seguir duas linhas: a da semelhança ou do contraste. Isso é verdade, mas os resultados não são tão óbvios quanto parecem. Essas duas possibilidades podem levar a centenas de experiências, de sabores e sensações.

Por exemplo: combinar uma bebida ácida com uma comida ácida significa equilibrar a acidez de ambas e não somá-las. No entanto, se juntarmos uma receita doce com uma cerveja azedinha, a bebida ficará muito mais ácida e, provavelmente, não será muito agradável.

É justamente pela dificuldade encontrada por muitos bebedores, pelo desafio e pela satisfação de vivenciar a tal explosão de sabores que, hoje, iniciamos a série Combina com o Quê?. Sempre que tivermos vontade (ou quando vocês pedirem), vamos falar sobre dobradinhas de sucesso.

Para esta primeira edição, escolhemos a Seresta Ciumenta, uma cerveja de trigo feita com hortelã e malte defumado.

A designada:
Seresta Ciumenta
Procedência: Goiânia, GO
Estilo: Weiss
ABV: 5%

A Seresta Ciumenta conquistou nossos corações justamente por ser uma Weiss diferentona. Ela tem os aromas clássicos do fermento que remetem à banana e cravo, tem a espuma alta e a cor turva como manda o script. No entanto, toda a experiência gustativa ganha um brilho extra por causa da adição de hortelã.

O adocicado pesado das cervejas de trigo convencionais perde um pouco de espaço para o sabor cítrico e levemente ácido da especiaria. Além disso, o malte defumado muito bem inserido confere personalidade única e perfeita para explorarmos caminhos diferentes na harmonização. É sim uma cerveja leve, mas mais refrescante e menos enjoativa que as receitas alemãs tradicionais.

Marina Cavechia/Metrópoles

Ciumenta bem acompanhada
Para manter o pé na realidade do dia a dia, escolhemos harmonizar a Ciumenta com um super sanduíche. Lembrem-se: esse tipo de cerveja leva uma boa dose de trigo na receita e, por isso, sempre entrará em sintonia com um bom pão artesanal.

O raciocínio para a escolha do recheio foi buscar sabores semelhantes. Pelo caráter levemente ácido da bebida, escolhemos usar queijo de cabra fresco em conserva no azeite. Folhas de agrião bem crocantes seguiram a linha do frescor dando uma pitada tímida de amargor.

Pensando no malte defumado, optamos por incrementar a receita com pastrami e, voltando à linha da acidez, incluindo uma conserva de berinjela, alho e nozes. Ficou divino! Veja o resultado abaixo.

Outras combinações
As cervejas de trigo alemãs são delicadas e, portanto, pedem pratos na mesma linha. Se você estiver com vontade de preparar um peixe, escolha uma receita sem muito molho ou condimentos fortes. Sushi e sashimi são ótimas opções, mas não exagere no molho de soja.

Para os amantes de frutos do mar, que tal um camarãozinho ao alho e óleo? Siga o mesmo raciocínio na hora de escolher as sobremesas: busque receitas cítricas que não sejam tão açucaradas. Uma tortinha de limão é uma ótima pedida.

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