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Na sua última semana na chefia do Ministério Público Federal (MPF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, nesta quinta-feira (14/9), que sabia do custo por enfrentar um “modelo político corrupto”. Ele acrescentou que o Brasil “convulsiona no processo curativo do combate à corrupção”.

O discurso de Janot ocorreu ao fim da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), a sua última como procurador-geral da República. “Tenho sofrido nessa jornada, que não poucas vezes pareceu-me inglória, toda a sorte de ataques. Mesmo antes de começar, sabia exatamente que haveria um custo por enfrentar esse modelo político corrupto e produtor de corrupção, cimentado por anos de impunidade e de descaso”, disse.

Lava Jato
Em seu discurso, Janot destacou que, nos momentos cruciais da Operação Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal (STF) “foi firme, respeitou as leis e a Constituição, mas não se acovardou”. Para ele, a Corte tem desempenhado o papel de esteio da estabilidade institucional e democrática.

“Esse papel, para a tranquilidade de todos nós, brasileiros, vem sendo cumprido com a excelência que se poderia esperar dessa vetusta e honrada casa”, comentou. “Entrego o cargo no próximo dia 17, sem qualquer jactância (vaidade, arrogância), mas com a convicção serena de que militei até o último instante na defesa dos compromissos constitucionais assumidos há mais de 30 anos.”

Trabalho honrado
Em nome do STF, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, agradeceu o trabalho de Janot. “Como bem disse, (o senhor) honrou, como todos que têm ocupado a cadeira de procurador-geral da República, tem honrado os trabalhos dessa tão importante instituição para a democracia brasileira”, afirmou Cármen, dirigindo-se a Janot.

Ao falar da transitoriedade dos ocupantes de cargos, Cármen frisou que a “Justiça é permanente e será devidamente honrada e reverenciada”.

Ironia
Já o ministro do STF Gilmar Mendes, habitual crítico de Janot, usou trecho de um poema para se referir à despedida de Janot instantes antes da última sessão do PGR. “Eu diria em relação ao procurador-geral Janot uma frase de Bocage: ‘Que saiba morrer quem viver não soube'”, disse Gilmar Mendes, citando o poeta português Manoel Maria Barbosa Du Bocage.

Na quarta-feira (13), por 9 votos a 0, o STF rejeitou recurso formulado pela defesa do presidente Michel Temer (PMDB-SP) para que Janot fosse afastado das investigações contra o presidente no caso JBS Gilmar esteve ausente no julgamento.

Nesta quinta, Gilmar Mendes se encontrou com a sucessora de Janot, a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em Brasília.

 

 

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