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O ex-diretor-geral da Câmara dos Deputados e atual chefe da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) e complicou a situação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao dizer os reais motivos da exoneração do diretor-chefe de informática da Casa em abril do ano passado. Sampaio contradisse o peemedebista ao contar que o afastamento ocorreu porque Cunha teria desconfiado que o servidor Luiz Antônio Souza da Eira seria o responsável pelo vazamento de informações para a imprensa relacionadas a um esquema de corrupção na Petrobras, do qual o parlamentar faria parte.

“A exoneração dele [Luiz Antonio Souza da Eira] se deu após o fato que ocorreu no âmbito da Câmara dos Deputados, que eu tava lá trabalhando, e um dia chegaram algumas pessoas, procuradores da República, peritos vinculados aqui ao Supremo para cumprir uma ordem, um mandado do ministro Teori {Zavascki] no sentido de ter acesso e vasculhar, digamos assim, alguns arquivos lá da Câmara dos Deputados. Logo após esse fato, o então presidente Eduardo Cunha achou que ele [Eira] teria tido alguma participação nesse episódio, fazendo algum tipo de denúncia contra ele, algo assim. Portanto, achou por bem retirá-lo”, relatou Sampaio ao STF.

Na versão de Eduardo Cunha, apresentada anteriormente ao tribunal, a demissão teria ocorrido porque funcionários do setor de tecnologia da informação não estariam cumprindo a carga horária de 40 horas semanais prevista na legislação.

Arrolado pelo próprio Cunha como testemunha de defesa no processo no qual o peemedebista é acusado de ter recebido ao menos US$ 5 milhões em propina de fornecedores da Petrobras, Sérgio Sampaio prestou depoimento na Suprema Corte na última quinta (1º/9).

Esquema
A demissão de Eira ocorreu logo após o jornal Folha de S. Paulo publicar uma reportagem sobre requerimentos suspeitos relativos a contratos de fornecedores da Petrobrás. Nos registros digitais da Câmara, os pedidos eram de autoria do peemedebista. As provas foram usadas na investigação da Operação Lava-Jato e no processo contra Eduardo Cunha, acusado de receber de lobistas pelo menos US$ 5 milhões em propina pela compra de um navio-sonda para a petrolífera estatal.

A defesa do deputado alega que a autora dos requerimentos seria a atual prefeita de Rio Bonito (RJ), Solange Almeida (PMDB-RJ), que também é ré na ação. O parlamentar ainda afirma que sua senha do sistema eletrônico da Câmara poderia ter sido usada por assessores na época.

Ao depor ao Supremo, o ex-diretor-geral da Câmara ressaltou que a orientação sempre foi para que os deputados não repassassem a ninguém a senha que usavam para acessar o sistema eletrônico da Casa.

Além de Sampaio, outros deputados e servidores da Câmara foram ouvidos no decorrer da semana para prestar esclarecimentos sobre o caso e auxiliar no processo contra Cunha. (Com informações do G1)

 

 

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