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A proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, para baratear o horário eleitoral na TV e no rádio favorece políticos como o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia o cineasta Fernando Meirelles.

Indicado ao Oscar por “Cidade de Deus” e ao Globo de Ouro por “O jardineiro fiel”, Meirelles colaborou com a campanha de Marina Silva (Rede) à Presidência da República em 2014.

Conforme informou o jornal O Estado de S. Paulo na edição de sexta-feira (1/9), Gilmar entregou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), uma proposta que altera radicalmente a forma como são produzidos atualmente os programas no horário eleitoral na TV e no rádio.

O objetivo é reduzir o custo das campanhas e retirar qualquer toque de “superprodução” das peças que vão para o ar.

O texto, redigido por uma equipe técnica do TSE, prevê que a gravação da propaganda eleitoral seja feita em estúdio, com proibição expressa de uso de cenários, gravações externas, computação gráfica e “quaisquer efeitos especiais”. A proibição vale para qualquer tipo de propaganda eleitoral, inclusive inserções.

“Esta é uma regra que favorece candidatos como Lula ou Doria, bons atores. Ela desfavorece outros como Alckmin (Geraldo Alckmin, governador de São Paulo) ou Marina Silva que não têm a mesma facilidade diante das câmeras. O que encarece campanhas não são infográficos ou montagens, mas o que se gasta para comprar votos, tanto no varejo, como no atacado em sindicatos, igrejas ou movimentos sociais”, disse Meirelles à reportagem, em resposta enviada por e-mail.

Para o cineasta, o que torna o jogo “realmente desleal” é o critério de definição de tempo para cada candidato na TV, baseado no tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados.

A deslealdade se repete nos critérios para a distribuição de verba pública proposta. Os deputados estão criando regras para que não sejam varridos de cena, mas sinto que em 2018 haverá uma grande renovação no Congresso"
Fernando Meirelles, cineasta

Marqueteiros
Profissionais que trabalham com marketing político também criticam as sugestões do TSE.

Para o publicitário Lula Magalhães, responsável pela campanha vitoriosa de Doria à Prefeitura de São Paulo em 2016, a proposta é “inócua”. “Elas (as ideias) são limitantes para quem não conhece bem ferramentas de comunicação. O que faz diferença mesmo é o conteúdo na fala do candidato”, avaliou.

O publicitário Elsinho Mouco, que atua como marqueteiro do presidente Michel Temer, reprovou a medida. “É melhor cancelar os programas eleitorais, só permitindo as inserções de 30 segundos, do que querer censurar o trabalho do publicitário brasileiro. É melhor moralizar o marketing das campanhas eleitorais do que limitar”, afirmou.

O jornalista Edinho Barbosa considera a medida uma “censura”. “Isso é um atentado à comunicação. Não se pode empurrar para a comunicação uma responsabilidade que não é dela. A responsabilidade pelo caos político é dos políticos, e não da comunicação”, disse Barbosa, que já trabalhou para o PT e para o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) – morto em 2014.

 

 

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