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Nova denúncia da PGR contra Temer perde força

Investigações abertas pela procuradoria, que colocam em xeque a delação do empresário Joesley Batista e da JBS, deram munição ao presidente

atualizado

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
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1 de 1 Rafaela Felicciano/Metrópoles - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

As investigações abertas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, colocando em xeque a delação do empresário Joesley Batista e de executivos da JBS, deram munição ao Palácio do Planalto. Para auxiliares do presidente Michel Temer (PMDB-SP), o pronunciamento de Janot “destrói” a delação de Joesley, que atingiu o peemedebista, e enfraquece a provável segunda denúncia contra ele.

Embora Janot tenha dito que a provável rescisão do acordo de delação “não invalida nenhuma prova”, a defesa de Temer avalia a possibilidade de questionar o depoimento do dono da JBS no Supremo Tribunal Federal (STF).

Janot ofereceu denúncia contra Temer por corrupção passiva com base no depoimento de Joesley. Em 2 de agosto, a Câmara barrou o prosseguimento da acusação, mas o presidente ainda poderá ser julgado no STF quando deixar o cargo.

O pronunciamento de Janot foi visto no governo como uma demonstração de que a provável segunda denúncia contra o presidente, por obstrução de Justiça, ficou totalmente prejudicada. No Planalto, Joesley é chamado de “mentiroso” e “bandido”.

Na madrugada do sábado (2/9), o empresário rebateu as declarações de auxiliares do presidente e divulgou nota qualificando Temer como “ladrão-geral da República” que “envergonha” os brasileiros.

Assim que Janot iniciou sua fala, auxiliares de Temer telefonaram para a China, onde está o presidente, para tentar articular a reação ao anúncio do procurador-geral. Para eles, os “indícios” a que Janot se referiu provam que as acusações feitas por Joesley contra Temer são “ineptas e infundadas”.

O presidente foi acordado por assessores e surpreendido com as declarações. Ele recomendou que sua equipe mantivesse a serenidade e disse ser preciso ter conhecimento sobre os fatos antes de um posicionamento oficial. Também afirmou que conversaria com o seu advogado, Antonio Claudio Mariz, para avaliar possíveis caminhos jurídicos diante do que foi revelado por Janot.

Em junho, Temer acusou o ex-procurador Marcelo Miller – agora alvo de Janot – de “trabalhar em empresa que faz delação premiada” com o procurador-geral. “Ganhou milhões em poucos meses. O que talvez levaria décadas para poupar”, afirmou o presidente, à época. “Garantiu ao seu novo patrão (Joesley) um acordo benevolente, uma delação que o tira das garras da Justiça, que gera uma impunidade nunca antes vista.”

Segundo Janot, conversa entre dois delatores contém indícios de crimes cometidos por Miller e integrantes do STF.

Nota
Na sexta-feira (1º), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou nota desqualificando Joesley e o operador Lúcio Funaro, que também firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público.

A estratégia foi uma “vacina” à apresentação de uma nova denúncia que o procurador-geral da República pretende apresentar contra Temer. “O presidente Michel Temer se resguarda o direito de não tratar de ficções e invenções de quem quer que seja. Jamais obstruiu a Justiça e isso está registrado no diálogo gravado clandestinamente por Joesley Batista”, afirmava a nota da Secom.

No comunicado, o Palácio do Planalto dizia que Joesley Batista “mentiu” e omitiu fatos em seu acordo de delação premiada firmado e, mesmo assim, “continua tendo o perdão eterno” do procurador-geral da República.

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