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A tensão no Brasil entre o Legislativo, o governo de Michel Temer e a Operação Lava Jato ganhou as páginas do jornal britânico Financial Times nesta quinta-feira (1º/12). Uma reportagem sobre o assunto relata que os promotores do caso de corrupção da estatal Petrobras ameaçaram se demitir se o presidente sancionar o projeto polêmico para evitar corrupção – numa manobra que, como cita a publicação, é destinada a acabar com as investigações, de acordo com os promotores.

“A Câmara dos Deputados aprovou o projeto na quarta-feira, enquanto o País estava de luto pela perda da equipe de futebol Chapecoense em um acidente aéreo. A lei proposta permitiria que os promotores e juízes fossem processados por supostos abusos de poder contra réus em seus casos”, diz o jornal.

O periódico traz a fala do procurador Carlos dos Santos Lima, membro da força-tarefa da Lava Jato, de que se o projeto foi sancionado e não houver proteção aos promotores em relação àqueles que estão sendo acusados, haverá demissão coletiva.

Retaliação
O FT informa que o projeto foi visto por analistas como uma tentativa dos congressistas de se protegerem da investigação na Petrobras, na qual dezenas de políticos são acusados de conspirar com funcionários da empresa e contratados para se enriquecerem e também destinar dinheiro a seus partidos com o pagamento de subornos e propinas.

“Depois de quase dois anos e meio de investigações, Brasília está se preparando para o que se espera que seja um enorme acordo de pacto entre promotores e ex-funcionários de uma das maiores empreiteiras da Petrobras, a Odebrecht.”

A publicação lembra que os promotores ainda negociam um acordo de delação com executivos da Odebrecht, que deve envolver “um grande número de políticos” que receberam financiamento secreto da empresa. O Financial Times explica também que, numa nova tentativa de acelerar a aprovação da legislação, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), quis dar urgência ao caso na Casa ontem, mas foi derrotado.

O periódico detalha que o projeto de lei foi baseado em uma petição dos promotores assinada por 2 milhões de pessoas e que sugeriu 10 iniciativas para ajudar a reprimir a corrupção no Brasil. A questão é que os parlamentares negaram alguns itens e inseriram outros seus, inclusive o de que os promotores e juízes devam ser julgados se eles avaliassem ter havido abuso de poder. O FT cita as reações negativas ao que foi feito no Congresso, como a do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

 


 

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