Ministros do PMDB tentam ficar nos cargos e apelam a Renan
Moção determinava a "imediata saída" dos membros do partido do governo e foi ignorada pelos ministros da legenda. Tendência é que decisão sobre permanência caia nas mãos de Dilma

A imposição do diretório nacional do PMDB para seus membros deixarem os cargos no governo Dilma Rousseff foi ignorada nesta quarta-feira (30/3) pelos ministros da legenda. A moção aprovada na terça (29) determinava a “imediata saída”. A tendência, contudo, é de que os peemedebistas, que atualmente ocupam o primeiro escalão do governo, coloquem nas mãos de Dilma a decisão sobre a permanência nos cargos.
Esse entendimento foi discutido na quarta em encontro realizado entre a presidente e alguns dos ministros do partido, que pretendem ficar no governo. “Hoje (quarta) nós discutimos com a presidente e fizemos algumas avaliações do cenário. Voltaremos a ter um encontro com ela até sexta-feira (1º/4) para dialogar sobre esse tema”, afirmou ao Estado o ministro dos Portos, Hélder Barbalho.O ministro é filho do senador Jader Barbalho (PA), fundador do PMDB e um dos principais críticos à decisão pelo desembarque. Sobre a influência que a decisão do partido terá na permanência dos ministros, Hélder respondeu: “Pergunte para quem esteve lá, eu não estive”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEntre os critérios que deverão ser pesados na decisão de Dilma pela manutenção dos ministros do PMDB está o potencial de votos de cada um contra o processo de impeachment. Segundo integrantes do governo, até sexta, a presidente também deverá ter definido o mapa de um novo bloco de apoio de partidos da base aliada. Entre as siglas que podem ter os espaços ampliados com os ministérios do PMDB estão PP, PR e PSD.
Além do ministério de Portos, o PMDB comanda atualmente as pastas de Minas e Energia, Agricultura, Saúde, Ciência e Tecnologia e Aviação Civil. Na véspera do encontro do diretório do partido, Henrique Eduardo Alves, indicado pelo vice-presidente Michel Temer, deixou o Turismo.
Mensagens
Num tom acima do adotado pelo ministro Hélder Barbalho, a ministra Kátia Abreu (Agricultura) recorreu na quarta (30) às redes sociais para dizer que também não pretende deixar o governo. As mensagens foram publicadas instantes depois de uma foto publicada no site do jornal Folha de S.Paulo flagrar uma troca de mensagens entre ela e um interlocutor. O texto dizia que ela e mais cinco ministros do PMDB ficariam no governo depois de se licenciarem do partido.
Pessoas próximas da ministra informaram à reportagem que ela não manifestou desagrado com o vazamento da mensagem e que até riu da situação. “Continuaremos no governo e no PMDB. Ao lado do Brasil no enfrentamento da crise”, escreveu a ministra no Twitter. “Deixamos a presidente à vontade caso ela necessite de espaço para recompor sua base”, afirmou. “O importante é que na tempestade estaremos juntos”, concluiu.
Os ministros peemedebistas também procuraram o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que conversou separadamente com Eduardo Braga (Minas e Energia), Marcelo Castro (Saúde), Kátia Abreu e Helder Barbalho, horas depois do encontro do diretório nacional. “Eles próprios não tinham ainda definido o que fariam. E ficaram, segundo me disseram, de conversar com a presidente da República, que ao final e ao cabo é quem cabe dizer se eles vão ficar ou sair”, afirmou Renan.


