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O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, deverá ter a licença médica ampliada, após a cirurgia a que se submeteu para a retirada da próstata, na segunda-feira (27/2). A volta dele ao governo agora está marcada para o próximo dia 13. A licença coincide com a crise provocada pelo recente depoimento do ex-assessor da Presidência José Yunes à Procuradoria-Geral da República (PGR), que levou a investigação da Operação Lava Jato para dentro do Planalto.

O retorno do ministro, homem forte do governo Michel Temer e fiador da reforma da Previdência, estava previsto para esta segunda (6/3). A cirurgia, no entanto, foi muito invasiva e requer maior repouso. Sob pressão, Temer avaliará, neste período, se a turbulência política envolvendo Padilha pode ser dissipada ou se a saída do chefe da Casa Civil é irreversível.

No Planalto, a preocupação é que os problemas na política contaminem as votações no Congresso, já que, além da reforma da Previdência, o governo quer aprovar logo mudanças na lei trabalhista e medidas “necessárias” para conter a crise. Nesse cenário, Padilha é visto como “essencial” para a articulação política com o Congresso.

Auxiliares de Temer não escondem mais a contrariedade com Yunes, que procurou espontaneamente o Ministério Público para acusar o ministro da Casa Civil de ser o mandante da entrega de um “pacote”, no seu escritório de advocacia, em São Paulo, na campanha de 2014. A história também apareceu na delação do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho. Padilha sempre negou a veracidade dos fatos.

Yunes, no entanto, pôs combustível na crise ao dizer para a Procuradoria-Geral da República que atuou como “mula involuntária” de Padilha. Usou a expressão para relatar que, em setembro de 2014, aceitou receber um “pacote” após uma ligação de Padilha. Na versão de Yunes, a encomenda foi entregue a ele pelo operador financeiro Lúcio Funaro, homem da confiança do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Alvos da Lava Jato, Funaro e Cunha estão presos.

Ao Ministério Público, Yunes disse que não abriu o “pacote”. Negou, porém, ter sido destinatário de dinheiro em espécie, como disse Melo Filho. Amigo de Temer há 40 anos, Yunes deixou o governo quando veio a público a delação de Melo Filho.

Acareação
A defesa de Funaro pediu à Procuradoria-Geral da República para que ele possa dar um depoimento “com a intenção de esclarecer a verdade dos fatos manifestamente distorcidos no depoimento prestado pelo Sr. José Yunes”. No documento enviado nesta quarta-feira à PGR, a defesa de Funaro solicita “que seja tomado o seu depoimento, colocando-se desde já à disposição para realização de acareação” com Padilha, Melo Filho e Yunes.

 

 

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