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Após virem à tona os e-mails do “departamento de propina” da Odebrecht que citam repasses de dinheiro a codinomes supostamente ligados a obras no Estado de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), por meio da Corregedoria-Geral da Administração (CGA), pediu ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, cópias de todos os documentos e e-mails da empreiteira utilizados na Operação Omertà – 35ª fase da Lava Jato.

Essas anotações resgatadas pelos investigadores da Omertà citam obras do Metrô e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). A Corregedoria é o órgão do Estado que detém poderes para investigar, na esfera administrativa, suspeitas de irregularidades envolvendo servidores públicos estaduais, que podem ser punidos se ficarem comprovados os crimes.

A Operação Omertà prendeu o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Antonio Palocci. A Polícia Federal suspeita que ele era o elo do PT com a empreiteira. Ele teria captado R$ 128 milhões em propinas. Seu advogado, o criminalista José Roberto Batochio, nega enfaticamente.

Em meio às correspondências eletrônicas capturadas pelos investigadores da Omertà, há citação a empreendimentos em São Paulo. A Corregedoria de Alckmin instaurou procedimento correcional para apurar eventuais irregularidades, no dia 26 de setembro, mesma data em que o Estadão entrou em contato com o governo do Estado para questionar sobre as mensagens da Odebrecht que citam as obras em São Paulo e apontam para propinas nestes empreendimentos, segundo a Polícia Federal.

O pedido foi encaminhado no dia 30 de setembro ao juiz Moro pelo presidente da CGA, Ivan Francisco Pereira Agostinho. O juiz da Lava Jato recebeu o pedido nesta sexta-feira (7), e ainda não decidiu sobre o caso.

No dia 27 de setembro, o Estadão divulgou a sequência de e-mails de executivos da Odebrecht com pedidos de pagamentos de porcentagens referentes às obras das linhas 2 (Verde) e 4 (Amarela) do Metrô de São Paulo destinados a codinomes.

Nas mensagens, também há referência a pagamentos “relacionados a EMTU” em e-mail entre os executivos da empreiteira em 2006. O material faz parte do conjunto de 32 mensagens da empreiteira que, segundo a PF, fazem referências a ‘pagamentos indevidos’. Questionada pela reportagem, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos não informou os valores dos contratos com a Odebrecht nas duas linhas.

Em um caso surge a alcunha ‘Santo’, cujo pedido de pagamento de R$ 500 mil em duas parcelas estaria ligado à ‘ajuda de campanha com vistas a nossos interesses locais’, segundo disse em um e-mail o diretor da Odebrecht responsável pelo contrato da Linha 4, Marcio Pellegrini.

A Lava Jato ainda não traduziu todos os codinomes destas planilhas. Por isso, os destinatários destes pagamentos não foram alvo da Operação Omertà, deflagrada no último dia 26.

 

 

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