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Dono da empresa DAG, Dermeval Gusmão Filho assumiu, em interrogatório ao juiz federal Sérgio Moro nesta quarta-feira (6/9), que comprou o terreno em que a nova sede do Instituto Lula seria construída, em São Bernardo do Campo (SP). O empresário acrescentou que desembolsou, oficialmente, R$ 7 milhões.

A força-tarefa da Operação Lava Jato sustenta que a DAG atuou como “laranja” na aquisição do terreno. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é alvo de ação penal por, supostamente, ter aceitado a compra do imóvel vizinho ao seu apartamento, em São Bernardo, e do terreno que Dermeval teria comprado.

O Ministério Público Federal (MPF) aponta que esses imóveis seriam propina disfarçada da construtora Odebrecht ao petista. No interrogatório, Dermeval relatou que seu primeiro contato com o terreno ocorreu em reunião com um então executivo da Odebrecht.

“No fim de julho de 2010, início de agosto de 2010, fui procurado por Paulo Melo, então diretor da Odebrecht Realizações no estado de São Paulo, me convocando para uma reunião. Paulo me coloca uma oportunidade de negócio: a Odebrecht tinha identificado um terreno para construir um empreendimento”, relatou.

O empresário acrescentou que, à época, a Odebrecht não queria aparecer como a compradora do terreno. Segundo ele, a empreiteira argumentava que o local era pequeno e que na empresa, por ter um porte maior, os vendedores veriam uma chance de elevar o valor.

Depois disso, de acordo com relatos de Dermeval, ele foi chamado para comprar o terreno após receber a promessa de que se tornaria sócio posteriormente. O empresário acenou positivamente. Poucos dias depois, almoçou com o empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora, segundo o depoimento.

“Eu disse (a Marcelo Odebrecht) que ele (Paulo Melo) tinha me falado da compra do terreno, mas não da construção do Instituto Lula”, recordou. “Ele (Marcelo) disse que ele e a Odebrecht tinham sido chamados para ajudar nisso e que ele viu, ali, uma oportunidade de negócio para mim”, completou.

Depoimento
Marcelo Odebrecht contou, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, na segunda-feira (4) que, no primeiro semestre de 2010 — quando Lula era presidente —, combinou com o ex-ministro Antonio Palocci que haveria “uma conta para atender” ao petista. O empreiteiro citou o ex-presidente Fernando Henrique, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto e outro delator da Odebrecht Alexandrino Alencar.

“A ideia inicial nossa era que esse valor fosse doado ao Instituto nos moldes que Fernando Henrique e a gente não se preocupasse mais com esse assunto (…) diminuindo a exposição. Mas isso acabou não ocorrendo até porque, aí eu tive algumas conversas com Paulo Okamotto sobre esse assunto, acho que meu pai esteve com Lula, Alexandrino também esteve, eu, inclusive, Palocci concordava comigo (…) que era no sentido de seguinte: o Instituto estava incomodado de ficar, de estruturar para receber a doação, como o Fernando Henrique fez”, narrou.

“Não resolveu e começou (sic) a vir uns pedidos que teria que ser feito de modo não contabilizado, aí começou, começou pedido do Instituto Lula, começou o terreno, começou a vir um pedido, por exemplo, que foi feito: doações para o Instituto Lula, R$ 4 milhões. Essa forma é que eu sei que o Lula foi beneficiado”, afirmou o empresário.

 

 

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