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A conversa entre Joesley Batista e seu funcionário Ricardo Saud já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) para avaliação do ministro Edson Fachin. Parte dos áudios foi divulgada pela Revista Veja nesta terça-feira (5/9) e mostra os ex-executivos da JBS negociando o pagamento de propina aos políticos. O Partido dos Trabalhadores (PT) é citado, assim como o Partido Republicano Brasileiro (PRB).

Nomes de ministros do Supremo também são mencionados: Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e a presidente da Corte, Carmén Lúcia. Em nenhuma delas, há atribuição a algum tipo de crime. O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo é citado em trechos das gravações. Segundo os delatores, “se pagassem” o petista, “pegariam o Supremo”.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou na segunda (4) que as conversas tinham indícios de irregularidade, e o acordo de delação premiada da JBS poderia ser cancelado.

Nas tratativas, Joesley Batista orienta Saud a omitir alguns fatos. O interlocutor diz que tem receio, pois já pagou propina “pra tanta gente”, que poderia de delator passar a ser delatado. “Eu não tenho chance. Todo mundo vai me delatar. A hora que a coisa começar a cair…(risos)”, conclui.

A seguir, trechos das conversas entre os delatores divulgados pela revista:

Joesley – Você falou que eu te devo uma.

Ricardo – Ah é. Hoje eu estava fazendo a soma toda lá no Guarujá, sabendo que você estava pagando dinheiro para o PT. Você viu quanto eu economizei para você, seu v.?

Joesley – Eu vi. Eu vi.

Ricardo – …está novinho, né?

Joesley – Agora que você entendeu o que rolava, não é?

Ricardo – O povo falava para mim, eu… Eu fazia de… Eu até imaginava, mas não queria entender porque senão os caras…

Joesley – É. É melhor não entender.

Ricardo – Os caras metiam a faca em mim, eu dizia: ‘Não, problema seu com o Joesley. Joesley? Não, não quero falar com ele não. Não mandaram procurar o Joesley, mandaram te procurar, quem vai… problema nenhum. Esse dinheiro não é seu não Ricardo, para de segurar isso, não é seu não. Você está nos roubando, o dinheiro é do PT’. Eu falava: ‘Não, não fala este tipo de assunto, não, que eu não aceito’. E hoje eu estava fazendo as contas lá. Então quer dizer que 39 milhões, não é? Eu mereço pelo menos dez por cento, né, Joesley?

Joesley – Que que é esses 39?

Ricardo – Eu ficava puto com os caras, me roubavam, esses caras. Estão roubando todo mundo. Nesse dia o ‘coisa’ escreveu lá: ’15 milhões do PRB, tal, tal, tal’. Tá bom. A hora que dei para ele, ele falou assim: ‘Olha, Ricardo, só tem 3 milhões. Quer dizer, falei: ‘Acho que digitei errado’. Falei: ‘Espera aí, deixa eu pensar aqui’. Aí vem lá no outro: ‘Kassab, tal, tal, tal, 40 e tantos. Uai Ricardo, está faltando 7 milhões. Não, desculpa, eu estou fazendo confusão’. Chegou no terceiro, ele falou assim: ‘Ricardo, acho que aquilo que o Joesley falou é verdade, você não sabia de p. nenhuma, você ficava p. de dar dinheiro para esses caras e você babava para ajudar a empresa’.

Joesley – É isso. É isso. E você sabe…

Ricardo – E somando, você sabe quanto deu? 39 milhões. Deve ter ficado puto, deve ter ficado p…

Joesley – E você sabe que, de repente, se der para classificar você como leniente, ué, também melhor ainda.

Ricardo – Quem, eu?

Joesley – É, ué. De dizer que você não sabia da transa.

Ricardo – Não tem como… Não tô ligando para essa p. não.

Joesley – Não, eu estou dizendo o seguinte: no contexto, entendeu? No contexto…

Ricardo – Eu não tenho chance. Todo mundo vai me delatar. A hora que a coisa começar a cair…(risos). Nós fizemos a conta lá, são 172, eu e o Marcelo fizemos a conta lá.  Será quantos vão falar de mim?

Joesley – Esse é o ponto, é melhor falar…

Ricardo – Agora, nós entregarmos…

Joesley – Igual esse negócio do SIF (Serviço de Inspeção Federal). Ninguém queria falar, ninguém, ninguém, ninguém… Ainda bem que nós falamos. Que agora, olha: ‘Nós falamos’. Tá vendo, como é que é?

Ricardo – …Velho, te juro, aquilo ali deu segurança para esse caso aí. Eu não quis falar isso pro Marcelo pelo telefone. Não falei não.  Aquilo ali deu segurança: ‘Marquinho, amanhã, quando o doutor seu chegar aí, cê cuida dele, viu? Ele gosta de massagem…’.

Joesley – Isso é um bandido, né, ô Ricardo?

Ricardo – Sauna… ‘Pode deixar’. Sauna, é…

 

 

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delação da JBS
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