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A ex-presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira (31/8) num ato na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, convocado para marcar um ano do impeachment, que as eleições de 2018 poderão se transformar num “segundo ato do golpe” que resultou em seu afastamento. A petista afirmou ainda que propostas de reforma política que falem em parlamentarismo e distritão são manobras para tirar as chances da esquerda no pleito.

“O que está em disputa em 2018 é se o golpe se reproduz ou se contém. O que vier só pode ser feito com a participação do povo brasileiro”, declarou em seu discurso. “O parlamentarismo é o sonho de uma noite de verão do golpista usurpador-mor, retira do páreo as possibilidades mais progressistas. Mas precisa de plebiscito. O distritão transforma as eleições num ‘toma lá, dá cá’ escancarado.”

Eleita em 2014, Dilma foi afastada do cargo em maio de 2016, por crime de responsabilidade. Seu vice, Michel Temer, assumiu interinamente. Um mês depois, a comissão de impeachment do Senado concluiu perícia que mostrou que as chamadas pedaladas fiscais atribuídas a ela, consideradas ilegais, não tiveram a sua participação. Ainda assim, no dia 31 de agosto, o processo de impeachment foi concluído em votação na casa, e Temer foi então empossado presidente do Brasil.

Realizado no auditório da ABI, lotado, o ato, intitulado “Dilma: o Brasil um ano depois do golpe”, foi organizado por parlamentares e dirigentes do PT e parlamentares do PCdoB, que a rodearam na mesa montada no palco. Teve endosso de movimentos sociais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), a Frente Brasil Popular e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). A plateia, de cerca de 500 pessoas, gritou “Fora Temer” e “Volta Dilma” e aplaudiu bastante.

 

 

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