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A presidente cassada Dilma Rousseff (PT) criticou nesta quarta-feira (6/9) a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, imputada a ela, por suposta formação de organização criminosa. A petista afirmou que a acusação formal “se apoia em mentiras fabricadas, algumas bastante antigas, que parecem ter sido recuperadas e trazidas de novo à baila apenas para desviar a atenção das gravações divulgadas”.

As gravações a que Dilma se refere são as dos delatores da JBS. No áudio de quatro horas, que chegou “acidentalmente” à Procuradoria-Geral da República (PGR), Joesley Batista, principal acionista da empresa, e o executivo Ricardo Saud revelam como pretendiam neutralizar a ofensiva dos investigadores contra o grupo, inclusive por meio de uma suposta cooptação de ministros do Supremo.

A denúncia contra Dilma inclui seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, quatro ex-ministros petistas (Antônio Palocci, Guido Mantega, Edinho Silva e Paulo Bernardo), a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

“A denúncia escrita pela Procuradoria da República acusando a mim de pertencer, e ao PT de constituir, uma organização criminosa é um documento que deve ter sido reunido às pressas e baseado, exclusivamente, em depoimentos de delatores premiados”, reagiu Dilma, em nota.

A ex-presidente afirma que “não há comprovação resultante de qualquer investigação feita”. “Apenas ilações, deduções e insinuações tratadas como verdade. Apenas as convicções dos acusadores, baseadas em modelos fantasiosos.”

Ao apontar para a reviravolta do caso JBS, Dilma enfatiza o áudio de quatro horas que faz Brasília ferver. “Os próprios delatores declaram que para obter o prêmio da integral impunidade ou da redução da pena dizem aquilo que acreditam ser o que os procuradores querem ouvir.”

A nota de protesto de Dilma aponta para outro escândalo que sacode o país, os R$ 51 milhões em dinheiro vivo encontrados nesta terça-feira (5), em um apartamento na Graça, Salvador, apontado como bunker do ex-ministro da gestão Michel Temer (PMDB-SP) e ex-dirigente da Caixa de seu próprio governo, Geddel Vieira Lima.

“Na semana em que o país toma conhecimento da deterioração ética e moral que cerca o mercado da corrupção, no dia em que a polícia encontra uma dúzia de malas cheias de dinheiro roubado por elemento central na articulação do presidente golpista, o procurador lança mão do diversionismo e encontra respaldo em parte da imprensa brasileira que se transformou em uma fração política, perdendo inteiramente a isenção.”

“A Justiça e a verdade sempre se impõem. O STF, certamente, fará justiça diante da absoluta falta de provas que atestem qualquer dos ilícitos denunciados pelo procurador-geral da República.”

Gleisi
A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, acusou nesta quarta o procurador-geral da República de usar uma denúncia contra a cúpula do partido para “mostrar serviço”, em meio à crise que pôs em xeque os acordos de delação dos executivos da JBS.

Em discurso no plenário do Senado, Gleisi afirmou que Janot deixará o cargo “ridicularizado” e com o currículo carimbado por uma “delação furada”.

“Qual é o crime que nós fizemos, doutor Janot? Porque a denúncia que foi apresentada é uma coisa absurda: não tem um fundamento, só tem delação. É justamente quando as delações são questionadas que Vossa Excelência apresenta uma denúncia por organização criminosa em cima de delações? É um escândalo isso, dr. Janot. Vossa excelência está para sair do cargo e quer mostrar serviço? É isso? Só que Vossa Excelência vai sair do cargo e vai sair carimbado por essa delação da JBS e por ter um dos seus principais procuradores, pessoa de sua absoluta confiança, envolvido até o último fio de cabelo numa negociata de delação furada. É isso que o sr. vai levar para o seu currículo”, afirmou.

Gleisi relacionou a apresentação da denúncia contra a sigla ao momento enfrentado por Janot. Isso porque ele pôs sob suspeita nesta segunda-feira (4), um dos principais auxiliares dele, o ex-procurador Marcelo Miller, que pode ter influenciado no acordo de delação firmado com os irmãos Batista.

“Sabe por que nós achamos que o sr. fez apresentação da denúncia? Para dar respaldo ao seu procurador lá do Paraná, que está sendo ridicularizado. O sr. vai ser ridicularizado também por conta dessa denúncia”, complementou.

 

 

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