Brasil precisa de agenda de reformas, diz Sérgio Moro

Em uma palestra em Brasília, o juiz da Operação Lava Jato ressaltou a importância da continuidade das medidas contra a corrupção no País

atualizado

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1 de 1 sergiomoro - Foto: Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as investigações da Lava Jato na primeira instância, disse nesta quarta-feira (10/8) que o andamento das investigações mostra que “a democracia está se mexendo”, com a mobilização de segmentos da sociedade brasileira no enfrentamento da corrupção. Moro destacou que o País precisa de uma agenda de reformas.

“O que é importante é que esse caso não fique apenas nos culpados, nos punidos, mas que isso propicie uma agenda de reformas”, disse o juiz federal, durante palestra em Brasília, citando a mobilização do Ministério Público Federal na aprovação de medidas de combate à impunidade.

“Mais que a aprovação delas, se o Congresso de fato fazê-lo, o importante é que o Congresso sinalize que estamos andando para frente, que está atento ao problema e que também é um partícipe da resolução desse problema.”

Eleito uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista “Time”, Moro foi ovacionado pelo público ao ter seu nome anunciado ao público de cerca de 200 pessoas, que lotou o auditório de uma instituição de ensino superior, em Brasília.

Institucional
Ao falar sobre a operação Lava Jato, Moro destacou que as investigações não são trabalho de um indivíduo apenas, nem de um “super-juiz” ou “super-procurador”. “O que existe é um trabalho institucional. Esse apoio da opinião pública e das pessoas que saem nas ruas revela que a democracia está se mexendo, e esse é o ponto mais importante, que propicia a adoção dessa necessária agenda de reformas”, comentou o juiz federal.

“Podemos ver esse quadro com o pessimismo da corrupção sistemática, mas devemos pensar na perspectiva otimista, de que essas manifestações nos propiciam uma oportunidade única de mudança e devemos aproveitar essa oportunidade”, prosseguiu.

Moro destacou que o julgamento do mensalão representou um marco no combate à impunidade. “O STF (Supremo Tribunal Federal) deu uma resposta importante – e isso transcende os resultados do caso concreto -, uma sinalização de que as instituições podem e devem fazer algo em relação a esses crimes”, ressaltou Moro.

Dallagnol
O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato também participou do evento desta quarta-feira e afirmou que a operação não vai mudar o País por si só, mas que pode representar um ponto de apoio no combate à corrupção. Na avaliação do procurador, a Lava Jato trata de um “câncer”, mas o sistema brasileiro é “cancerígeno”, com condições que favorecem a proliferação de irregularidades.

“Apesar da Lava Jato não transformar o País, ela traz um momento muito propício. A Lava Jato pode ser um ponto de apoio, ela quebra o cinismo, o cinismo é o último golpe, o golpe mortal da corrupção. A Lava Jato nos faz acreditar que as instituições podem, sim, funcionar”, disse o procurador, um dos palestrantes do evento “Democracia, Corrupção e Justiça: Diálogos para um país melhor”, promovido por uma instituição de ensino superior, em Brasília.

Ao comentar os desdobramentos das investigações, Dallagnol citou dois “mitos” em torno da operação. “O primeiro mito é que a Lava Jato vai transformar o País. Ela trata de um câncer, um tumor, o que ela vai conseguir é recuperar o dinheiro desviado, mas o sistema é cancerígeno. Precisamos tratar das condições que favorecem a corrupção no Brasil”, ressaltou. “O segundo mito que gostaria de descartar é que um grupo de pessoas vai mudar o País Nós só mudaremos o País quando nós, sociedade, nos mobilizarmos ”

Dallagnol voltou a afirmar que o Brasil é o “paraíso da impunidade”, com um ambiente propício ao florescimento da corrupção. “Não podemos perder a nossa capacidade de nos indignar com a injustiça. O caso Lava Jato não vai resolver o problema da corrupção, a mudança de governo não é caminho andado (nesse sentido)”, destacou o procurador. “Precisamos depositar nossa confiança não sobre pessoas ou grupos, mas sobre instituições.”

Cultura
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, por sua vez, destacou que a “percepção social” em torno da corrupção aumentou no Brasil ao longo dos últimos anos. “O enfrentamento da corrupção produzirá uma mudança cultural muito relevante”, destacou Barroso.

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