Com mais uma madrugada de ataques, RN terá reforço militar nesta terça
O estado começa a receber nesta terça-feira (2/8) o efetivo de 1,2 mil militares das Forças Armadas, convocado após a sequência de atos violentos na capital e em cidades do interior desde o fim de semana
atualizado
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Natal teve mais uma noite e madrugada de violência entre segunda (1º/8) e esta terça-feira (2). Foram seis ataques, das 22h até as 6h, o mais grave, na sede da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em que criminosos queimaram uma parte do depósito e quatro veículos que estavam estacionados.
O Rio Grande do Norte começa a receber nesta terça-feira o efetivo de 1,2 mil militares das Forças Armadas, convocado após a sequência de atos violentos na capital e em cidades do interior desde o fim de semana.De acordo com o sindicato das empresas de transporte, a cidade conta com 50% da frota de ônibus em circulação e o efetivo só vai aumentar quando as tropas do Exército chegarem.
Na madrugada desta segunda-feira, marcada pelo incêndio de veículos e novos ataques a prédios públicos, 17 detentos fugiram do Centro de Detenção Provisória (CDP) da Ribeira, na zona leste de Natal. Na noite de domingo (31/7), parte da mata no Morro do Careca, principal cartão-postal da capital, chegou a ser incendiada.
Na tentativa de desmobilizar as facções criminosas que lideram os ataques, o governo do Estado conseguiu autorização para a transferência de cinco detentos que estavam no Presídio Estadual de Parnamirim – unidade na Grande Natal que reagiu à instalação de bloqueadores de sinal de celular. Os detentos foram levados para o Presídio Federal de Mossoró.
Nos próximos meses, os bloqueadores devem ser instalados em todas as unidades prisionais potiguares. Novas transferências já foram autorizadas.
Trancadas em casa
Entre a população, o clima é de apreensão. A comerciante Ana Dias, de 45 anos, proprietária de uma farmácia no bairro de Capim Macio, na zona sul da capital, manteve o negócio fechado e optou por deixar as duas filhas, de 9 e 13 anos, em casa. “Elas estavam animadas para o retorno às aulas, mas não me senti segura em deixar que fossem. Ficamos trancadas em casa o dia todo. Meu marido foi trabalhar, mas só fiquei tranquila quando ele chegou.”
O diretor do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos do Rio Grande do Norte (Seturn), Nilson Queiroga, disse que o cuidado é constante. “Vamos avaliar a situação a cada hora, hoje, amanhã e depois, para podermos garantir não só a circulação das pessoas, mas acima de tudo preservar a vida dos trabalhadores, dos passageiros e também o nosso patrimônio.”
Operação
Até a noite de domingo, 68 pessoas foram presas por suspeita de envolvimento com os casos de violência.
O governador Robinson Farias (PSD) afirmou estar “confiante”. Durante todo o dia, a cúpula do governo esteve reunida com representantes do Exército. As tropas serão deslocadas de Pernambuco e Alagoas e atuarão principalmente no patrulhamento ostensivo nas ruas, em parceria com a polícia.
“Ficou definido que o papel principal das Forças Armadas será a ronda ostensiva, para evitar os ataques, e não o enfrentamento”, destacou o secretário estadual de Segurança, Ronaldo Lundgren. Do efetivo, 1 mil homens são do Exército e 200 integram o corpo de fuzileiros da Marinha. A previsão inicial é de que o reforço seja mantido até o próximo dia 16.
Lundgren classificou os ataques como “atos de terrorismo”. “Na minha concepção, o que estamos vivendo são atos de terrorismo. Esses atos visam a aterrorizar toda a população e a acuar as autoridades. A decisão de bloquear o sinal dos celulares nos presídios é acertada e tem como meta encerrar o círculo vicioso que existe entre os presos e seus grupos criminosos”, afirmou.
