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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (5/9) a Operação Tesouro Perdido, que achou em Salvador (BA) um “bunker” com milhares de notas em reais que, de acordo com a investigação, é usado por Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Ex-ministro da Secretaria de Governo do presidente Michel Temer (PMDB-SP), ele cumpre prisão domiciliar, sem o uso de tornozeleira eletrônica, na capital baiana.

Geddel foi preso em julho, acusado de participar de esquema ilegal de liberação de recursos na Caixa.

Após investigações decorrentes de dados coletados nas últimas fases da Operação Cui Bono?, a PF chegou ao endereço em Salvador, que seria, supostamente, utilizado pelo ex-ministro. Os valores apreendidos serão transportados a um banco, onde haverá contabilização e depósito em conta judicial.

O cumprimento de mandado de busca e apreensão foi autorizado pela 10ª Vara Federal de Brasília. De acordo com a decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, o apartamento pertence a Silvio Silveira, que teria cedido tal imóvel para que Geddel, supostamente, guardasse pertences de seu falecido pai.

No dia 14 de julho deste ano, a Polícia Federal teria recebido informação de que o ex-ministro estaria usando o apartamento para guardar caixas com documentos.

Operações Cui Bono? e Sépsis
Geddel ocupava a vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e teria recebido cerca de 20 milhões de reais a título de propina, em troca de aprovação de recursos da empresa pública. Ou de liberação de créditos do FI-FGTS, fundo gerido pela CEF, para beneficiar determinadas empresas (Operação Sépsis), em conluio com outros investigados.

Obstrução de justiça
O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, aceitou no último dia 22 denúncia contra Geddel por obstrução de Justiça. Assim, ele, que está preso, preventivamente, desde 3 de julho, passou à condição de réu e responderá a ação penal por ter, supostamente, atuado para evitar a delação premiada do corretor Lúcio Bolonha Funaro, que poderia implicá-lo em crimes de corrupção na Caixa Econômica Federal.

Funaro é apontado como operador financeiro do PMDB e está preso, mas assinou, na semana passada, acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF).

Na decisão, o magistrado justificou que a denúncia ofertada pelo MPF contra o ex-ministro atende os requisitos do Código de Processo Penal, pois “descreve de modo claro e objetivo fatos delituosos imputados a Geddel”.

“Está demonstrada, até agora, a plausibilidade das alegações contidas na exordial acusatória, em face da circunstanciada exposição dos fatos tidos por criminosos e das descrições das condutas em correspondência com os documentos constantes dos autos”, escreveu Oliveira.

 

 

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