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Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolaram nesta terça-feira (5/9) pedido ao juiz federal Sérgio Moro para que seja avaliada a efetividade das delações dos empreiteiros Marcelo e Emílio Odebrecht, pai e filho. Segundo os defensores, liderados pelo criminalista Cristiano Zanin Martins, o patriarca da construtora e seu herdeiro se contradisseram em depoimentos.

O choque de informações nos interrogatórios, de acordo com os advogados de Lula, ocorreram no âmbito de ação penal em que o petista é réu por supostamente ter aceitado a compra do imóvel vizinho ao seu apartamento, em São Bernardo do Campo (SP), e do terreno onde seria sediado o Instituto Lula.

O Ministério Público Federal (MPF) aponta que propinas pagas pela empreiteira chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal. Este montante, segundo a força-tarefa da Operação Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência do ex-presidente em São Bernardo de R$ 504 mil.

O ex-presidente do grupo, Marcelo, disse que a construtora tinha uma espécie de conta corrente com o ex-ministro Antônio Palocci com um crédito de R$ 200 milhões em benefício do ex-presidente.

“Lula sabia desta planilha, por quê? Porque eu cheguei pra meu pai e disse assim: “Meu pai, avisa o Lula para ele não estranhar, porque em 2010 não vai aparecer quase contribuição nenhuma nossa” e, de fato, não teve muita contribuição nossa, por quê?”, afirmou.

Segundo Marcelo, após Emílio ter conversado com Lula sobre as propinas, Palocci o teria questionado: “Marcelo, que história é essa que seu pai disse que você acertou comigo R$ 200?”

“Meu pai que pode dizer o que Lula sabia ou deixava de saber”, ressaltou. No entanto, em depoimento em junho, Emílio deu uma versão diferente sobre as supostas tratativas.

“Eu tive conhecimento que Marcelo me trouxe para eu informar o presidente Lula e eu não levei para o presidente Lula, não levei, porque eu não levava números para ele. Então o que eu perguntei é o seguinte: ‘Você e o interlocutor indicado pelo presidente acertaram, vocês estão de acordo?’. Pronto, eu não levei.”

“Sucedeu que, ao prestarem depoimento perante este Juízo, sob o compromisso de dizer a verdade, Marcelo Odebrecht, enquanto corréu colaborador, e Emílio Odebrecht, na condição de testemunha colaboradora, apresentaram testemunhos manifestamente antagônicos e, portanto, incompatíveis entre si”, argumentam os advogados de Lula.

Defesa
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da empreiteira. O espaço está aberto para manifestação.

 

 

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