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Delatores da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud entregaram-se à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo na tarde deste domingo (10/9). Segundo o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay — que assumiu o caso no fim de semana —, os clientes passariam a noite na capital paulista.

Nesta segunda-feira (11), a dupla será transferida para Brasília, onde passará por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). O defensor não soube informar se, após o procedimento, Joesley e Saud ficarão sob custódia da PF ou se serão transferidos para o Complexo Penitenciário da Papuda.

A prisão temporária ocorreu após o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatar pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na noite de sexta-feira (8). A solicitação incluía a detenção do ex-procurador da República Marcello Miller, que foi negada por Fachin. A decisão do ministro, tomada sob sigilo ainda na sexta (8), foi tornada pública neste domingo (10).

Batista e Saud omitiram informações que eram obrigados a prestar, segundo o ministro. A prisão se justifica pois os dois fazem parte de uma “organização voltada à prática sistemática de delitos contra a administração pública e lavagem de dinheiro.”

Fachin ainda justificou por que negou o pedido de detenção de Marcello Miller. Segundo o magistrado, não são “consistentes” os indícios de que Miller tenha sido “cooptado” por organização criminosa. A íntegra da decisão pode ser lida aqui.

Em conversa entregue pela própria defesa da JBS, Saud e Joesley falam sobre a suposta interferência de Miller para ajudar nas tratativas de delação premiada. O ex-procurador ainda fazia parte do Ministério Público Federal quando começou a conversar com os executivos, no fim de fevereiro. Ele foi exonerado da instituição em abril.

O trio tentou evitar que Fachin decretasse a prisão ao longo do sábado (9). A defesa de Joesley Batista e Ricardo Saud pediu para ser ouvida pelo ministro Edson Fachin antes que ele decidisse sobre o pedido de Janot.

Os delatores — incluindo Miller — também deixam os passaportes à disposição da Justiça e se ofereceram para a prestar qualquer esclarecimento necessário.

Benefícios
Na última segunda-feira (4), Janot abriu um procedimento de revisão do acordo de delação dos empresários. A prisão preventiva já vinha sendo analisada por Janot nos últimos dias. Na quinta (7), os executivos prestaram esclarecimentos à PGR, mas não convenceram. A avaliação na instituição é de que o discurso era somente para manter a validade do acordo, mas os fatos narrados foram graves.

No caso de Miller, auxiliares de Janot avaliam que ele atuou junto à JBS com informações privilegiadas por ter integrado a equipe da PGR e pode ter incorrido nos crimes de obstrução de Justiça e exploração de prestígio.

 

 

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