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O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o advogado brasiliense Willer Tomaz e o procurador da República Ângelo Goulart Villela. Ambos foram presos durante a Operação Patmos, deflagrada pela Polícia Federal no dia 18 de maio. Eles são acusados de tentar embaraçar o procedimento de delação premiada e investigações envolvendo o grupo J&F, controlador da JBS. Ambos estão atualmente encarcerados no Complexo Penitenciário da Papuda.

O procurador da República Ângelo Goulart Villela foi denunciado pelos crimes de corrupção passiva com causa de aumento de pena, violação de sigilo funcional qualificada e obstrução à investigação de organização criminosa. Já o advogado Willer Tomaz vai responder por corrupção ativa,  violação de sigilo funcional qualificada e obstrução à investigação de organização criminosa.

A denúncia foi encaminhada à Justiça pela Procuradoria Geral de República da 3ª Região, de São Paulo. Para o MPF, não restou “sombra de dúvida de que Ângelo e Willer deixaram clara sua atuação em favor dos interesses da J&F, funcionando como verdadeiros defensores dos interesses do grupo econômico, valendo-se” da condição de Ângelo, procurador da República e então membro da Força Tarefa da Operação Greenfield, que “praticou e deixou de praticar atos de ofício”.

O MPF também pede que Villela perca o cargo público “por ter agido com violação de seus deveres para com o Estado e a sociedade” e, junto com o Willer, pague uma indenização por danos morais no valor de R$ 2 milhões para a União por terem causado prejuízos difusos como “lesões à ordem econômica, à administração da Justiça e a administração pública, inclusive à respeitabilidade do Ministério Público Federal perante a sociedade brasileira”.

Delação da JBS
Em delação ao MPF, o dono da JBS, Joesley Batista, disse que Willer Tomaz cobrou R$ 8 milhões em honorários para defender os interesses do empresário. Para fisgar o cliente, Willer jogou uma isca: disse que tinha proximidade com o juiz substituto da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília Ricardo Soares Leite e que conhecia também um procurador da República, do Rio de Janeiro, que poderia ajudá-lo com informações sigilosas no âmbito da Greenfield. Essa operação apura fraudes nos fundos de pensão e tem como um de seus alvos a empresa de Joesley.

Em troca dessas informações privilegiadas, o advogado teria dito que pagaria uma “ajuda de custo” no valor de R$ 50 mil mensais ao procurador Ângelo Goulart Villela. As informações constam em um dos anexos do Inquérito 4.489 do Ministério Público Federal, que tem como relator o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Willer é o único personagem de Brasília alvo da Patmos. Como o Metrópoles mostrou, o advogado é de origem humilde e alcançou sua ascenção meteórica em nove anos de advocacia. Em menos de uma década de atuação nos mais variados ramos do direito, Willer acumulou uma notável carteira de clientes, a maioria deles políticos. Lançou-se também no mundo dos negócios e, recentemente, como empresário de mídia. Ele arrendou quatro rádios que pertencem ao ex-vice-governador do DF Paulo Octávio.

Mantém na QI 1 do Lago Sul um luxuoso escritório de advocacia. É o mesmo imóvel que abrigou a “República de Ribeirão” – em referência ao ministro da Fazenda do primeiro governo Lula, Antônio Palocci, ex-prefeito do município paulista, hoje preso no âmbito da Lava Jato

Antes de ser encarcerado, Willer era rotineiramente visto por Brasília dirigindo carros caríssimos. Acionada pelo Metrópoles, a defesa do advogado afirmou que, por enquanto, vai se manifestar apenas nos autos do processo. Até a última atualização desta reportagem, a defesas do procurador não tinha sido localizada.

 

 

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