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O dono da JBS, Joesley Batista, e o executivo do grupo Ricard Saud chegaram a Brasília nesta segunda-feira (11/9), por volta das 15h30. A dupla se entregou à Polícia Federal na tarde de domingo (10), em São Paulo, depois de o ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, acatar pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).


Após desembarcar na capital, os dois seguiram para a sede da PF. A defesa de ambos apresentou um documento em que seus clientes dizem estar em “ótimas condições de saúde”. Por isso, não precisariam ser encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML). Mas eles saíram, por volta das 17h30, para fazer exames no instituto, que fica no complexo da Polícia Civil do DF, ao lado do Parque da Cidade.

Depois, Joesley e Saud foram encaminhados para a carceragem da PF. Os executivos ficarão presos em uma cela de 9m², com vaso sanitário de chão, sem chuveiro. Para tomar banho, terão de usar um cano na parede onde sai água fria. A assessoria da Polícia Federal informou que os eles não prestarão depoimento nesta segunda (11).

Joesley carrega terço
Joesley e Saud ficarão detidos pelo menos por cinco dias, já que a prisão decretada por Fachin é temporária. Na saída da sede da PF em São Paulo, por volta das 10h35, o dono da JBS foi fotografado segurando um terço. Por volta das 14h, o avião que trouxe Batista e Saud decolou do Aeroporto de Congonhas. Às 15h30, a aeronave pousou em Brasília e Joesley seguiu agarrado ao terço.

A solicitação de prisão temporária, com prazo de cinco dias, incluía também a detenção do ex-procurador da República Marcello Miller, que foi negada por Edson Fachin. O ministro acredita que não são “consistentes” os indícios de que Miller tenha sido “cooptado” por organização criminosa.

Para concretizar o pedido, Rodrigo Janot considerou que Batista e Saud omitiram informações que eram obrigados a prestar. Para o procurador-geral da República, a prisão deles se justifica pois os dois fazem parte de uma “organização voltada à prática sistemática de delitos contra a administração pública e lavagem de dinheiro.”

Joesley não esperava ser preso. A reviravolta no caso ocorreu após os próprios delatores entregarem a gravação de uma conversa, ocorrida possivelmente em 17 de março, antes da assinatura do acordo. No áudio de aproximadamente quatro horas, Joesley e Saud falam da participação de Miller nas tratativas para a delação.

O ex-procurador, que atuou na Operação Lava Jato, pediu exoneração da PGR em fevereiro, mas deixou oficialmente a equipe de Janot apenas em abril. Após sair do cargo, ele foi trabalhar no escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, que atuou em parte da negociação para a leniência do Grupo J&F, holding controladora da JBS.

 

 

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