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Reportagem publicada nesta quarta-feira (13/9) no site da revista Veja aponta que integrantes do gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sabiam que Marcello Miller trabalhava para a JBS e atuava de forma indireta no acordo de delação premiada de Joesley Batista e do ex-executivo do grupo Ricardo Saud.

Segundo a publicação, a Polícia Federal teve acesso a mensagens trocadas entre o ex-procurador e os principais dirigentes da empresa indicando que ele já estaria servindo aos interesses da companhia no dia seguinte à sua saída efetiva do cargo público.

Uma das mensagens, de acordo com a reportagem, foi trocada em 5 de abril deste ano, um mês antes da assinatura do acordo de delação. Na conversa, em um grupo de WhatsApp que reunia integrantes da empresa e os irmãos Batista, a advogada Fernanda Tórtima, contratada pela JBS, teria informado que Joesley havia sido convocado pela PGR a prestar depoimento.

No diálogo, Francisco de Assis, diretor jurídico da JBS, acha estranha a convocação. Miller entra na conversa: “Não pode ser depoimento. Isso só pode ser debriefing [um interrogatório preliminar]. Se for depoimento, SB está jogando [SB, segundo a PF, é Sergio Bruno, um dos auxiliares de Janot na Lava Jato]. Até certo ponto, normal ele fazer isso. Debriefing pode, claro. É só ressalvar no início. Mostrar boa vontade”.

SB é Sérgio Bruno Fernandes, promotor de Justiça do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), cedido à PGR. Ele integrou o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). E foi ligado diretamente às investigações que culminaram na Operação Caixa de Pandora, em 2009.

No Ministério Público Federal, conduz os depoimentos nos principais acordos de delação relacionados à Lava Jato, entre eles o de Joesley e o do operador financeiro Lúcio Funaro. É considerado por seus pares um servidor correto e linha dura.

Conforme relatório da PF a que Veja teve acesso, no dia da conversa, Miller estaria com viagem marcada para os Estados Unidos, onde participaria de reuniões sobre o acordo de leniência que a JBS negociava com autoridades americanas.

Durante a troca de mensagens, ao ser informado de que se tratava realmente de um depoimento, Miller teria continuado a dar instruções aos advogados da JBS. “Manda o SB trabalhar. Chamar a mesa da leniência. Dizer pros EUA que quer esse acordo”. “A natureza dele [Sergio Bruno] vai ser a de tentar tudo que ele conseguir… Normal. A gente tem de fazê-lo organizar o procedimento, ou no mínimo que ele nos deixe fazer isso, com a ajuda dele”, completou, conforme a reportagem.

Nesta altura do diálogo, a advogada Fernanda Tórtima revela que Sergio Bruno e o procurador Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Rodrigo Janot, teriam conhecimento de que Marcello Miller viajaria aos Estados Unidos para defender a JBS.

“Lembra que o Pelella disse que ficaria esperando uma ligação da Esther [outra advogada a serviço da JBS] antes de fazer contato com o DoJ [Departamento de Justiça americano]? Essa ligação será do Marcello”, diz Fernanda Tórtima. Ela prossegue, referindo-se ainda à conversa que tivera com o auxiliar de Janot: “Eu disse que ele teria que falar hoje com o DoJ e disse que o Marcello iria. Nessa hora achei estranho ele [o assessor do procurador-geral] dizer que já tinha a informação de que o Marcello iria”.

 

 

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