Em documentos, PF detalha gastos mensais de Vorcaro de até R$ 84,6 milhões
Planilhas organizam os gastos pessoais, imobiliários, operacionais e de repasses financeiros ao longo do ano de 2025

O banqueiro Daniel Vorcaro teve despesas mensais em 2025 que chegaram a R$ 84,6 milhões, segundo relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (10/9).
No documento, são detalhadas planilhas chamadas “despesas gerais” obtidas em conversas entre Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel. As planilhas organizam os gastos pessoais, imobiliários, operacionais e de repasses financeiros ao longo do ano de 2025.
Entre os gastos, a Polícia Federal destaca a previsão do pagamento de R$ 1 milhão mensal a Luiz Phillipi Mourão, o Sicário. Preso pela PF, Sicário foi acusado de integrar “milícia” de Vorcaro, contratada para intimidar desafetos do banqueiro. Ele morreu dois dias após uma tentativa de suicídio na prisão, em março. Segundo a PF, ele teria recebido R$ 24 milhões ao longo de dois anos.
Nas despesas de Vorcaro também estão listados gastos com imóveis, aeronaves, galerias de arte e honorários advocatícios. Nas despesas gerais, estão previstas cerca de R$ 6,5 milhões por mês. Nelas são listados o pagamento a Sicário, IPTU, condomínios, energia elétrica e advogados.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNas despesas variáveis, são listados, por exemplo, em março, o gasto com aeronave de R$ 6 milhões, em junho, o pagamento de galeria de arte no valor de R$ 7,3 milhões e de aeronave PS-FSW, de R$ 4,9 milhões.
Na planilha que reúne pendências de junho e julho, além de despesas de agosto, é onde se concentra o maior gasto mensal, de R$ 84,6 milhões. Entre os gastos estão a reforma de um apartamento, no valor de R$ 6 milhões, e um pagamento para a Igreja Lagoinha Belvedere, onde Zettel era pastor, no valor de R$ 2 milhões.
Veja as planinhas:
Crise no STF
- 1º de setembro: ministro André Mendonça retira o sigilo de parte da investigação do caso Banco Master em que o nome do ministro Alexandre de Moraes aparece. O relatório da Polícia Federal revela uma suposta troca de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
- 3 de setembro: Moraes reage e encaminha a Edson Fachin, no âmbito do inquérito das fake news, um pedido para investigar a atuação de Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. As acusações ainda não foram julgadas.
- 4 de setembro: Fachin nega o pedido de Moraes e encaminha o procedimento à Presidência do STF. O ministro também dá cinco dias úteis para que Mendonça e a Procuradoria-Geral da República se manifestem.
- 8 de setembro: Mendonça afasta preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O ministro aponta suspeitas sobre a produção de relatórios da PF relacionados à sua atuação. A decisão provoca reação da Advocacia-Geral da União, e 11 diretores da PF colocam os cargos à disposição em apoio aos dois delegados.
- 9 de setembro: ministro Flávio Dino determina o retorno de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos e aponta “atropelos processuais” na decisão de Mendonça. Horas depois, Fachin suspende tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino e mantém, na prática, os dois delegados na PF enquanto analisa o impasse. Presidente do STF centraliza procedimentos envolvendo ministros da Corte e convoca uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro.
- 10 de setembro: Fachin pede derrubada de sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master e manda o relator, ministro André Mendonça, entregar um HD com as informações à Presidência da Corte e aos demais magistrados. Mendonça atende Fachin e retira sigilo da investigação do caso Master.

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Ver todasRetirada do sigilo do caso Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e retirou o sigilo da investigação do caso Master. Mendonça é o relator do caso, por isso, ele tem o poder de retirar o sigilo do processo. Fachin fez a solicitação na noite desta quinta-feira (10/9) e pediu que o relator entregasse um HD com as informações à presidência da Corte e aos demais ministros.










