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Afastado do cargo e considerado foragido, o prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Muniz (PSB), conquistou votos suficientes para ir ao segundo turno, mesmo com a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) há quatro dias. O nome dele ganhou projeção nacional em abril, quando foi preso pela Polícia Federal um dia depois de sua esposa, a deputada Raquel Muniz (PSD), ter elogiado o marido ao votar a favor do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

“Meu voto é para dizer que o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão”, disse a parlamentar na ocasião, em 17 de abril. Um dia depois, Ruy Muniz foi preso, acusado de sabotar o funcionamento de hospitais públicos e filantrópicos para beneficiar o Hospital das Clínicas Mario Ribeiro da Silveira, que pertence à sua família.

Com 100% das urnas apuradas, o candidato Humberto Guimarães Souto (PPS) obteve 54,89% dos votos válidos e terminou em primeiro lugar nas eleições. A situação, porém, ainda é indefinida, já que um recurso no Tribunal Superior Eleitoral pode reverter o cancelamento da candidatura de Muniz.

Logo após a decisão unânime do TRE-MG na última quarta-feira (28), Ruy Muniz anunciou que recorreria ao TSE. Ele teve a candidatura indeferida após o vice na coligação, Danilo Fernando Macedo (PMDB), protocolar seu pedido de renúncia no dia 16 de setembro. Caso o TSE mantenha a decisão da Justiça Eleitoral do estado, a vitória em primeiro turno de Humberto Souto, que recebeu mais de 76 mil votos, será confirmada.

Como as urnas eletrônicas já estavam lacradas, o nome e a foto de Ruy Muniz apareceram para os eleitores e ele acabou tendo 48.834 votos. que foram considerados invalidados. Em segundo lugar dentre os candidatos em situação regular de acordo com a Justiça Eleitoral, Marilene Alves de Souza (PT), conhecida como Leninha, obteve 25,82% dos votos válidos, com 36 mil votos.

Foragido

O indeferimento da chapa não é o único problema de Ruy Muniz com a Justiça. O prefeito teve a prisão preventiva decretada na última quinta-feira (15) e é considerado foragido. No entanto, a legislação eleitoral proíbe a prisão de candidatos até 15 dias antes da eleição, a não ser em caso de flagrante ou de sentença judicial transitada em julgado. Como o prefeito afastado não foi preso antes de domingo (18) e há uma liminar garantindo o prosseguimento de sua campanha, ele só poderá ser detido a partir de amanhã (3).

 

 

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