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A capital da República tem apenas três escolas entre as 100 melhores do país. Todas são particulares e com indicador de nível socioeconômico muito alto. Os dados, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta terça-feira (4/10), são resultado da avaliação das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015. O Olimpo da 913 Sul, com mensalidade que ultrapassa R$ 2,4 mil, é o primeiro colocado no ranking local, com nota 733,72. Na lista nacional, é o 11º colocado. Em 2014, a instituição ficou na 29ª colocação.

O segundo nome do DF na lista nacional é o do Olimpo de Águas Claras, com média total de 709,63, na 44ª colocação. Terceiro mais bem colocado na relação brasiliense é o Pódion (82º do país), com média de 690,83. 

As notas são calculadas a partir das médias da redação e das quatro áreas de conhecimento: linguagens e códigos, matemática, ciências humanas e ciências da natureza. A análise é feita a partir das notas dos 1,2 milhão de alunos que fizeram as quatro provas objetivas do Enem e tiraram nota maior do que zero na redação.

Escolas públicas
A primeira escola pública do DF a entrar no ranking nacional é o Colégio Militar de Brasília, na 967ª colocação. O segundo é o Colégio Dom Pedro II, na 1.208ª posição. Os dois funcionam com verba federal. Se for calculada a posição de uma escola gerida pelo Governo do Distrito Federal, a primeira a aparecer é o Centro de Ensino Médio Setor Leste, na posição de número 4.242.

Para o integrante do Conselho Nacional de Educação José Francisco Soares, o ranking do Enem consagra os colégios que fazem seleção de seus alunos.  “Entre as escolas bem classificadas, as privadas selecionam seus alunos pela renda. Entre os que podem pagar, escolhem os alunos que se saem bem em provas. Esta seleção é frequentemente feita ao longo dos anos, convidando-se os alunos mais fracos a saírem da instituição. As escolas públicas que estão entre as melhores colocações são aquelas que admitem seus alunos através de difíceis vestibulares”, analisou.

Para o especialista, os projetos pedagógicos das escolas bem classificadas no Enem são excludentes socialmente. Ainda assim, é necessário identificar as boas práticas realizadas por esses colégios. “Expor a fragilidade do argumento que a boa escola é aquela mais bem posicionada no ranking do Enem não deve obscurecer o fato de que, entre as escolas líderes, há projetos de muito boa qualidade pedagógica, que precisam ser conhecidos e que podem inspirar as mudanças que  o sistema de educação básica brasileira precisa”, completou.

Gui Prímola/Metrópoles

 

Metodologia e áreas
Ao todo, foram incluídas na análise 14.998 escolas com alunos matriculados no 3º ano do ensino médio regular, dos quais pelo menos 10 participaram do Enem 2015. Em todo o país, as notas das redações tiveram o maior índice de crescimento. Em 2014, a média geral era 491 e, nas provas de 2015, subiu para 543. Em 2015, o tema avaliado foi “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.

Considerando as médias de todos os alunos participantes do Enem, o Olimpo foi o primeiro colocado do DF no quesito redação, com média 849. Em uma nota simulada apenas com os 30 melhores alunos de cada instituição, o Sigma assume a ponta, com média 940,83. Entretanto, no índice geral, quando são analisados todos os estudantes da escola, o Sigma fica em 12º lugar com nota 715,50.

No entanto, se os alunos dissertaram bem, pecaram no português das provas objetivas. Quando o assunto foi linguagens, códigos e suas tecnologias, houve queda na nota do país: de 511 para 504. A área avalia os conhecimentos dos estudantes em gêneros textuais, gramática, literatura e funções de linguagem, entre outras.

No DF, o Colégio Olimpo ficou na primeira colocação nessa área, com média 643. Em relação ao restante do país, o Olimpo figura na 11ª posição. O campeão entre todas as escolas analisadas foi o Objetivo Integrado, de São Paulo, com média 681.

Na capital federal, o desempenho na área de linguagens, códigos e suas tecnologias também ressalta a discrepância entre as instituições privadas e as mantidas pelo Estado. A primeira escola pública a aparecer no ranking é o Colégio Militar Dom Pedro II, na 744ª posição.

 

 

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