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Prestes a ver o Brasil tradicionalmente abrindo sua Assembleia Geral em Nova Iorque (EUA), a Organização das Nações Unidas (ONU) revela que a dívida do governo de Michel Temer (PMDB-SP) com a entidade ultrapassa R$ 1 bilhão. De acordo com o Ministério do Planejamento, um depósito de US$ 30 milhões (R$ 94 milhões) está sendo “processado”.

Dados oficiais da entidade, porém, apontam que o país acumula a segunda maior dívida, superada apenas pela dos EUA. No total, são US$ 321,3 milhões que a ONU cobra do Brasil.

O governo deve US$ 221 milhões (R$ 692 milhões) para as operações de paz da ONU, outros US$ 96,4 milhões (R$ 302 milhões) para o orçamento regular da entidade e mais US$ 3,6 milhões (R$ 11,2 milhões) para os tribunais internacionais.

No total, a ONU acumula dívidas de US$ 4,5 bilhões de seus estados membros e, dentro da entidade, o temor é de que o governo americano reduza ainda mais seus pagamentos, colocando uma pressão ainda maior para que outros governos arquem com as contas. Tradicionalmente, os EUA tem arcado com um quarto do valor do orçamento da ONU.

O presidente americano, Donald Trump, ainda convocou uma reunião de líderes internacionais para 18 de setembro, para aprovar uma declaração conjunta para indicar que quer uma reforma administrativa “profunda” na entidade.

A iniciativa foi interpretada por diplomatas estrangeiros como um alerta: ou os custos da entidade são dramaticamente reduzidos, ou o governo americano suspende parte de seu pagamento anual.

O presidente Temer também estará em Nova Iorque para a Assembleia Geral da ONU. Nos últimos meses, o governo brasileiro indica tem feitos esforços para pagar sua dívida com o sistema das Nações Unidas, incluindo o orçamento regular e ainda o funcionamento dos tribunais internacionais.

Em setembro de 2016, o rombo chegava a um valor inédito de US$ 424,9 milhões (R$ 1,3 bilhão). No início do ano, esse valor caiu para US$ 290 milhões depois que vários itens conseguiram ser quitados. Mas, agora, voltou a aumentar.

O déficit é um problema que perdura desde 2014, quando o governo de Dilma Rousseff suspendeu parte importante dos pagamentos para as entidades. Naquele momento, o calote já era de US$ 190 milhões com todo o sistema da ONU.

Diplomatas em Nova Iorque revelam à reportagem que chegaram a faltar em reuniões dos comitês de finanças da entidade que tratariam da dívida brasileira diante da falta de previsão de Brasília sobre como o buraco seria pago.

Ao assumir seu cargo de chanceler, José Serra indicou que iria trabalhar para pagar as dívidas e solucionar as pendências do Itamaraty com seus funcionários no exterior, muitos com pagamentos atrasados. Agora, os dados revelam que os pagamentos para a ONU continuam sendo um problema.

Resposta. No Brasil, o assunto é tratado pelo Ministério do Planejamento, que apresentou nesta quinta-feira números inferiores de sua dívida com a ONU. Segundo o governo, o total de “pagamentos pendentes com a ONU somam US$ 289,9 milhões”.

Seriam US$ 96,4 milhões para o orçamento regular, US$ 184 milhões para operações de paz e US$ 8,7 milhões para os tribunais.

De acordo com o Planejamento, um depósito está sendo efetuado. “O governo está processando o pagamento de parte do valor referente a cota de 2017 da ONU Regular, no valor aproximado de USD 30 milhões”, indicou o Ministério.

“Com relação aos demais organismos da ONU, o governo vem trabalhando no sentido de viabilizar os pagamentos dentro dos limites orçamentários e financeiros atuais”, completou.

 

 

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