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Preso em flagrante pelo estupro de uma menina de 2 anos no Rio de Janeiro, o coronel reformado da Polícia Militar Pedro Chavarry Duarte passava a imagem pública de homem sério e defensor dos valores da família. “No meu tempo livre, eu tenho dedicação à Igreja Católica Apostólica Romana, onde costumo participar ativamente das atividades religiosas”, declarou o homem de 62 anos, em entrevista publicada em 2011 no jornal da Caixa Beneficente da PM do Rio, instituição da qual é presidente. Nas eleições de 2014, ele concorreu a deputado federal pelo Partido Social Liberal (PSL).

Detido na noite de sábado (10/9), Duarte ainda tentou subornar os dois policiais que fizeram a abordagem, no complexo de favelas da Maré. Horas depois, a mãe da criança foi presa, possivelmente sob suspeita de aliciamento de menores. Ainda não há informações detalhadas sobre a mãe ou a família da vítima.

Em entrevistas e perfis, vê-se a imagem de um homem experiente em cargos diretivos e administrativos, um católico praticante e um pai de família ausente – mas esforçado.

Veja vídeo da tentativa de suborno de Pedro Chavarry Duarte:


“Homem de família”
Em um perfil publicado no jornal institucional da Caixa Beneficente, em 2011, Duarte passa a aparência de sujeito educado, sério, trabalhador e estratégico. Responde às questões sempre com frases formais e calculadas. Atarefado, diz ao repórter que foi “muito cobrado em casa” pela ausência.

“Após uma carreira de 37 anos, em que não tive Carnaval, Natal e Ano Novo, assumi uma empreitada dessa magnitude (a presidência da Caixa Beneficente)”, diz. Ele lamenta que o compromisso ocupe o tempo que poderia dedicar à família. “Eu deveria estar aposentado e curtindo mais a minha família. Eles têm, infelizmente, ficado em segundo plano”.

A Caixa Beneficente funciona como uma previdência privada para associados. Na função de presidente, reeleito em 2015, o coronel representa mais de 30 mil pessoas.

Em outro trecho da entrevista, Duarte faz questão de enfatizar que é um homem de ambições pessoais simples, como ir à igreja e aproveitar as folgas.

“No meu tempo livre, eu tenho dedicação à Igreja Católica Apostólica Romana, onde costumo participar ativamente das atividades religiosas”, orgulha-se. “Em outras ocasiões, costumo tirar alguns dias para viajar com a família e recuperar as forças”.

Reprodução/Eleicoes2014.com.br

Candidato
Nas eleições de 2014, Duarte aproveitou o longo histórico na PM do Rio para se lançar candidato a deputado federal pelo estado. Ele concorreu ao cargo pelo Partido Social Liberal (PSL), na coligação Rio Solidário. Obteve 1948 votos.

Trajetória na PM do Rio e alvo de denúncias
Nascido em Olaria, Duarte é descrito como um militar experiente no site da Caixa Beneficente. Entrou na academia aos 19 anos e, mais tarde, acumulou passagens por batalhões em São Cristóvão, Campos de Goytacazes, Bangu e Olaria. É formado em direito.

Ao longo da carreira, enumerou chefias em cargos administrativos importantes: relações-públicas da PM, integrante da mesa diretora da irmandade Nossa Senhora das Dores da PM e diretor social na própria Caixa Beneficente. Foi eleito e reeleito na presidência da Caixa.

Reprodução/PMRJ

Segundo o site da instituição, Duarte “revolucionou” o atendimento, “colocando o associado como prioridade máxima”. Ele também é elogiado pela reforma de condomínios e “conquista de prestígio junto à corporação”.

Descrição laudatória à parte, Duarte também já foi alvo de denúncias à frente da instituição. Uma matéria de 2013 da “Rádio Globo” narra a busca de familiares de policiais por benefícios.

Segundo a reportagem, a Caixa foi investigada por suspeita de desvio em 2010. “Policiais associados também afirmam que o atual gestor, Pedro Chavarry Duarte, fraudou as eleições neste mesmo ano”, termina o texto.

 

 

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