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No último domingo (10), organizadores de páginas no Facebook criaram uma campanha incentivando os moradores da zona sul do Rio de Janeiro a não darem dinheiro ou comida aos moradores de rua desta região. Juntos, os perfis têm mais de 83 mil seguidores, e também sugerem que as pessoas gritem caso vejam alguém dando esmola.

A campanha publicada na página Ipanema foi a que mais teve interatividade. Contudo, a maioria das pessoas que curtiram o post foram contra o projeto. O post foi retirado do ar após a reportagem do UOL ter procurado a administração da página.

O projeto foi postado em 5 páginas do Facebook, sendo que a página Alerta Ipanema teve maior interatividade

Segundo o projeto, dar esmolas aos moradores de rua apenas intensifica a presença deles nas proximidades das casas. Em um trecho do texto promovido pela página “Alerta Ipanema”, é possível notar o teor de alerta da campanha: “Quando virem alguém dando comida ou esmola, chamem atenção. Façam gritaria, mostrem a todos que estiverem passando que aquela pessoa está contribuindo para que tenhamos mais mendigos no bairro”.

As quatro páginas responsáveis pelo post são dirigidas por Pedro Fróes, que se diz acostumado com críticas e reprovações. Foi ele quem idealizou a campanha, diz que nenhuma associação de moradores pediu pelo alerta e que as páginas não possuem ligação com entidades que representam moradores desses bairros. “Minhas páginas se legitimam por si. Essas pessoas que ficam na Zona Sul são ‘esmoleiros’ de profissão”, declarou.

Em 2013, somavam-se 5 mil moradores de rua no Rio. Atualmente, esse número é cerca de 14.300. Segundo o sociólogo e professor de Ciências Sociais da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), ligar moradores de rua a crimes é uma “generalização perversa que tem como consequência a agressividade contra essa população”. Ele ainda defende que a sujeira e a desordem das ruas não são culpa de quem vive nelas.

Em agosto deste ano, foram instalados esguichos de água na marquise de um edifício em Copacabana para evitar que os moradores de rua dormissem no local.

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos alega ter programas de acolhimento a estas pessoas, e afirma que “não é contra a caridade e sempre foi aberta ao trabalho voluntariado nas suas unidades de acolhimento”.

 

 

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